estúdio de artista

Arte: Mariana Corteze

Sinopse: Uma mulher curiosa começa a frequentar uma pequena loja de materiais artísticos e artesanato com mais frequência do que o normal, sempre encontrando desculpas para voltar. E a tensão que ela sente a cada vez que passa pela porta, a faz questionar se seu novo interesse é apenas em arte, ou na própria artista que a recebe todas as vezes.

As pessoas dizem que se você se esforçar, é possível sentir o seu gosto favorito a qualquer momento, em qualquer lugar. Tudo o que você precisa fazer é acessar as suas memórias e libertar a imaginação.

O segredo é fechar os olhos e respirar fundo, relaxando cada músculo do corpo, deixando a mente livre. 

Por exemplo, pensar no tom vermelho de um morango… na textura suave que o envolve, seu formato quase triangular. Como é a sensação de ter a fruta na sua mão, como é firme, mas ao mesmo tempo, frágil o suficiente para ceder à pressão dos seus dedos. E quando você morde, como a suculência faz o caldo escorrer pelos cantos da sua boca enquanto o sabor doce se derrama por sua língua.

Não é todo mundo que consegue realmente sentir algo a partir dos pensamentos… Mas eu não tinha esse problema. O meu desafio, na verdade, era outro…

O meu problema não era conseguir lembrar de um gosto, mas sim, de esquecer. 

Eu podia jurar que tudo o que eu tocava, tudo o que eu sentia, tudo o que eu provava… me lembrava ela.

Tudo começou em um dia ordinário, no meio de uma semana e rotina. Eu acordei me sentindo vazia, com a sensação de estar vivendo o mesmo dia há anos.

Parecia que faltava algo entre trabalhar e pagar as contas. Algo que me despertasse interesse, inspiração… Algo para alimentar a mente.

Depois de muito pensar em um possível hobby e várias tentativas frustradas que só me cansaram mais, me lembrei de como gostava de desenhar e pintar quando criança. Um hábito que foi deixado para trás durante o meu crescimento, mas que agora, poderia voltar a ser interessante.

Foi assim que acabei enfurnada no computador, pesquisando por lojas por perto em que eu pudesse encontrar materiais básicos para fazer mais uma tentativa. Encontrei grandes departamentos que prometiam as melhores qualidades e menores preços, mas os anúncios pareciam engessados e sem graça, o que me fez duvidar que eu poderia encontrar alguma inspiração ali. 

Então acabei optando por pegar o endereço de outro anúncio, bem mais simples e de uma loja um pouco mais distante da minha casa. Mas talvez fosse justamente isso… um caminho um pouco mais longo para me tirar dos trilhos do dia a dia, algo novo e arriscado. Parecia ser um estabelecimento pequeno, mas com seu charme próprio. Anotei o endereço e desliguei o computador, prometendo para mim mesma que iria conferir aquele lugar assim que tivesse tempo.

Acabou me custando algumas semanas até que eu cumprisse a promessa. Sempre protelando ou desacreditando que, daquela vez, seria o hobby certo – instigante o suficiente para que valesse o esforço da tentativa.

Respirei fundo enquanto encarava a fachada da loja. Os tons amadeirados eram tão fortes que eu quase pude sentir o cheiro das árvores, como se estivesse no meio de um bosque. Assim que entrei, todos os barulhos inconvenientes da rua foram abafados, quase como se eu tivesse entrado em outro mundo.

A iluminação era baixa e falha, mas eu não sabia se era proposital. De qualquer forma, estava funcionando para despertar a minha curiosidade, como se eu precisasse absorver o máximo de informações possíveis, em estado de alerta.

— Olá? — disse um pouco alto, procurando outra pessoa lá dentro.

— Fique à vontade, eu já te encontro — alguém respondeu dos fundos.

Um pouco aliviada, assenti sozinha e tirei o casaco. Apesar de estar chovendo lá fora, ali dentro estava quente e abafado. Não o suficiente para incomodar, mas com certeza me deixou inquieta.

Enquanto esperava, perambulei pelos curtos corredores, passeando com os olhos pelos inúmeros tipos de pincéis, quadros, tintas… Eu não sabia por onde deveria começar, muito tempo havia se passado desde o meu último contato com arte. Eu definitivamente precisaria de ajuda.

Acabei deixando a minha bolsa e casaco no balcão, cansada de carregar o peso desnecessário. Pude identificar um vulto por trás das cortinas de bambu que cobria o acesso para os fundos da loja, mas não pude ver como era a pessoa que estava claramente ocupada com alguma coisa.

Distraída, varri os detalhes do pequeno estabelecimento com o olhar, congelando os olhos no quadro pendurado em uma das paredes. Na obra, um corpo feminino era desenhado em linhas e cores diferentes, quase criando um formato abstrato. O rosto estava coberto por madeixas grossas e escuras – o cabelo longo escondendo seus olhos, como se estivesse guardando seus segredos. O resto, no entanto, estava exposto. O corpo nu estava sentado de frente, com as pernas abertas. E a mão fazia um gesto de convite, como se estivesse chamando o espectador para entrar.

Desviei os olhos, afetada. Mas disfarcei quando ouvi passos se aproximando.

— Como posso ajudar?

E, finalmente, eu pude ver a pessoa dona daquela voz.

Ela era jovem, mas não muito. Algo me dizia que a forma casual como ela se vestia fazia com que ela parecesse mais nova do que realmente era, porque apesar da delicadeza em seus traços, algo na forma como ela se movia e me olhava me dava a sensação de experiência.

Os cabelos pretos estavam presos em um coque desarrumado e uma camisa muito maior que o número ideal para ela, caía solta até o início de suas pernas. Algumas manchas de tinta marcavam a pele de seus braços e imediatamente eu percebi que ela não apenas trabalhava ali, como também era uma artista.

Um sorriso doce se formou em seus lábios quando ela me cumprimentou. Mas, por algum motivo, demorei a encontrar as palavras para responder.

— Oi…

— Está tudo bem? — ela quis saber, me observando com atenção.

Cocei a garganta e procurei retomar o controle.

— Claro, por quê?

A mulher dançou os olhos por mim, me estudando sem disfarçar. Eu sabia que ela só estava tentando identificar algum problema, mas não pude deixar de me sentir agitada perante a análise.

Eu não sabia o que era aquilo. Mas, de uma hora para outra, eu não sabia o que fazer com as mãos. Como me portar ou falar com ela. Culpava a droga do quadro por me ter pego de surpresa.

— Você parece um pouco… afobada. — ela notou.

Assenti algumas vezes e me abanei, sentindo as bochechas quentes.

— É o calor — foi a desculpa que eu dei.

Mas meus olhos traidores passaram pelo quadro mais uma vez e ela percebeu.

Quando acompanhou o meu olhar e viu a expressão que fiz para a tela, ela voltou a sorrir. 

— É a arte fazendo o seu papel, eu suponho — cantarolou, guardando as mãos no bolso.

— O quê?

— Não é o que dizem? — ergueu as sobrancelhas, saindo de trás do balcão e caminhando até mim. — Que a arte deve incomodar o tranquilo e tranquilizar o incomodado?

Abri a boca, mas não disse nada. A minha garganta estava seca quando ela parou à minha frente.

Eu estava nervosa. A questão era que eu não ficava nervosa… nunca. E ali estava eu, sem ação enquanto uma mulher me encarava em expectativa.

Ela era quase da mesma altura que eu, então eu conseguia ver todos os traços de seu rosto. Desde os olhos profundos e divertidos, até as linhas que desenhavam seus lábios cheios.

Quando percebi que estava encarando a boca dela, pisquei e tentei lembrar por que estava ali.

— Eu preciso de alguns materiais básicos… — cocei a garganta, baixando os olhos. — Para pintura iniciante.

Pude ouvir que ela riu baixo, mas não me torturou pela minha clara falta de jeito.

— É claro — soprou docemente. — Seria para você?

Ela começou a andar pela loja e entendi que eu deveria acompanhá-la, então segui seus passos calmos.

— Sim.

Ela balançou a cabeça e parou em frente a uma estante de pincéis, voltando a me encarar.

— E você tem alguma preferência?

Não tinha nada de errado com aquela frase. Eu sabia que ela estava falando dos pincéis, estilo de pintura, materiais ou o que fosse. Mas, ainda assim, não pude deixar de levar sua pergunta para outro sentido.

— Eu não saberia dizer…

Quase como se soubesse o efeito que estava causando em mim, ela curvou os lábios em um sorriso de canto, seus olhos brilhando para mim.

— Não se preocupe, eu posso te ajudar a se descobrir.

Eu ainda estava nervosa, mas dessa vez, eu sorri. Porque não tinha como eu estar imaginando aquilo… O jeito como ela estava me olhando e falando comigo… Eu esperava que ela estivesse sentindo o mesmo que eu.

— Obrigada.

E ela cumpriu a promessa.

Naquele dia, ela mostrou vários tipos de pincéis, com formatos e funções diferentes. Assim como telas, bandejas, papéis, tintas… Eu tentei prestar atenção em tudo o que ela estava dizendo, mas era difícil me concentrar. Vez ou outra, eu me pegava olhando para a boca dela, observando como seus lábios envolviam cada palavra soprada por sua língua.

Ou o jeito como seus dedos longos dedilhavam os materiais sobre o balcão enquanto ela explicava a importância de cada um. Os fios bagunçados que vez ou outra caíam por seus olhos e o cheiro de tinta que a rodeava.

Fiz perguntas para as quais eu já sabia a resposta, apenas para protelar o meu atendimento. Mas no fim da tarde, quando não pude mais fabricar dúvidas, acabei comprando muito mais do que planejava, levando até mesmo utensílios que eu sabia que jamais usaria.

Quando voltei no dia seguinte procurando por pincéis retos, ela estreitou os olhos.

— Você não levou pincéis retos ontem?

Dei os ombros e balancei a cabeça, seguindo-a pelos corredores.

Ela parecia confusa, mas não me perguntou novamente, apenas colocou os pincéis retos na minha mão.

Dois dias depois, voltei querendo mais tinta azul.

E até no final da semana, voltei procurando mais telas.

Ela não fez nenhum comentário, mas a forma como sorria para mim a cada vez que eu entrava pela loja me deixava saber que ela sabia exatamente o que eu estava fazendo. E não pareceu se incomodar com as desculpas que eu estava arrumando para vê-la de novo.

Eu ainda estava animada com a arte em si e até tinha arriscado um rascunho ou outro, mas estava claro que meu interesse pela artista estava muito maior.

Com o tempo, minhas visitas ficaram mais longas. Logo começamos a conversar sobre assuntos além de materiais artísticos. Ela me deixou conhecê-la, saber sua história, aprender sobre ela… E eu dividi o que pude também, mas sabia que minha vida entediante não tinha tanta graça quanto a dela.

Foi assim que acabamos ali, depois do expediente, com a loja fechada e um vinho aberto entre nós.

Era quase estranho o quanto eu me sentia à vontade com ela, como se nos conhecêssemos há anos, e não há semanas. Eu estava confortável, com a cabeça deitada em seu colo enquanto contava sobre o perrengue que tinha passado no trabalho. Contei fofocas sobre pessoas que ela não conhecia, confidenciei segredos que ela não ligava, falei de assuntos que ela não tinha conhecimento… Ainda assim, ela me ouvia atentamente, prestando atenção em tudo o que eu tinha a dizer.

Quando eu estava rindo de alguma piada que provavelmente ela não tinha como entender, senti a sua mão no meu rosto. O toque tinha sido suave e lento, de forma que demorei a perceber que ela estava traçando o contorno dos meus lábios.

Olhei para cima, encontrando seus olhos me assistindo à medida em que a ponta dos seus dedos desenhavam a minha boca. Eu parei de rir, mas não porque não gostei do que ela estava fazendo… talvez pelo contrário. Talvez porque senti o meu corpo começar a esquentar curiosamente graças ao toque simples e suave.

Quando ela parecia já ter gravado o formato dos meus lábios, fez uma leve pressão para que eu abrisse a boca. Seu dedo passou por meus lábios e encontrou a minha língua. Antes que eu pensasse no que estava fazendo, fechei os lábios ao redor do dedo dela e fiz leve pressão, chupando com cuidado.

Os olhos dela escureceram enquanto me assistiam de cima. 

Seguindo um instinto novo, eu levantei o rosto e tirei sua mão de mim, apenas para que eu pudesse finalmente beijá-la.

E ali estava tudo o que eu estava procurando esse tempo todo. A excitação forte o suficiente para descarregar em mim como uma corrente elétrica, me partindo em duas. O gosto doce, o formigamento na pele, o cheiro de tinta, o toque suave.

Era isso que eu queria.

Ela me beijou de volta, tomando o meu rosto em suas mãos e dividindo o seu gosto comigo, sua língua acariciando a minha.

Por um bom tempo, tudo o que se pôde ser ouvido foi o barulho das nossas bocas enquanto trocávamos nossos sabores. Eu conseguia sentir meu peito disparado e mãos suando, meu corpo em alerta pela descoberta daquela sensação.

Já ela, bem mais calma do que eu, parecia ter tirado aquele momento para me saborear, apreciar tudo o que eu tinha a oferecer. Lambendo a minha boca, subindo o toque por meus braços, tocando o meu rosto…

Ela sabia fazer parecer normal. Como se já tivesse me beijado várias vezes, como se já conhecesse cada canto da minha boca, como se já tivesse tirado as minhas roupas em várias outras noites.

Sua mão subiu pelas minhas costas, erguendo a blusa pouco a pouco. Não percebi o quanto eu estava quente até que a peça deixou o meu corpo, permitindo que suas mãos pudessem me tocar livremente.

Uma a uma, cada roupa foi sendo jogada no chão. Até que ela pôde me deitar sobre o tapete dos fundos da loja, completamente nua e à mercê dos seus toques.

Ela me ficou me olhando por um bom tempo, quase como um expectador em uma galeria de arte. Quando começou a subir a mão pela minha perna, me senti sendo moldada como uma das obras que ela costumava fazer.

Seus dedos roçaram contra a minha virilha e me senti estremecer em expectativa, ansiosa. Com a outra mão, ela segurou a minha cintura, tentando me fazer ficar imóvel, e continuou me tocando… me descobrindo a cada leve esfregada.

Senti a boca aberta e seca enquanto eu tentava processar o que estava sentindo. Tentando me acostumar com seu toque tão mais experiente. Eu não conseguia deixar os olhos dela, observando ela me assistir.

Outras pessoas já tinham me tocado, mas não como ela… Eu sentia minha umidade escorrer por seus dedos quando ela passou a me acariciar mais forte, arrancando gemidos contidos.

Eu sentia o prazer escorrer por todo o corpo, deslizar da nuca até a pontinha dos dedos dos pés. Sentia meus músculos tensos e relaxados ao mesmo tempo, uma mistura nova de sensações que eu não conseguia entender, apenas sentir.

E eu senti. Senti quando ela beijou o lóbulo da minha orelha e arrastou a mão contra o meu ponto sensível, me estimulando de um jeito tão gostoso, que eu me peguei rebolando, acompanhando o ritmo do carinho.

— Está gostoso, é? – ela perguntou desnecessariamente, soprando a voz rouca que funcionava como empurrão final para que eu perdesse de vez a sanidade. — Era assim que você queria ser tocada? 

Ofeguei e arqueei as costas, tentando fugir do seu aperto e me mover com mais liberdade contra a sua mão.

Eu só conseguia rebolar nos dedos dela, e só queria que continuasse me tocando… Não importasse como.

— Olha pra você… Toda molhada nos meus dedos… Era isso que você estava procurando, não era?

Ela escorregou dois dedos para dentro de mim. Dessa vez, não consegui conter o gemido, apertando mais os olhos fechados, saboreando um prazer desconhecido quando ela começou a arrastá-los para dentro e para fora.

— Você está se ajustando tão bem na minha mão… Tão quente e macia – mordeu a minha orelha, pressionando a palma no meu clitóris enquanto seus dedos continuavam entrando e saindo, tocando os lugares absurdamente certos. — Mal posso esperar pra descobrir qual gosto você tem.

Ela estava me fazendo sentir tão bem… E eu queria fazer o mesmo por ela. Por isso, tentei retomar algum controle sobre mim e deslizei a mão entre nossos corpos, procurando o caminho entre as suas coxas.

Ela olhou para mim quando meus dedos roçaram contra ela, sentindo a pele molhada. Eu me arrepiei por pensar no quão úmida ela tinha ficado por estar apenas me tocando.

Eu não tinha muita experiência, mas tentei não pensar tanto… tentei fazer nela o que eu gostava que fizessem em mim, tentei ser tão natural quanto ela estava sendo. E a julgar pelos barulhinhos que ela começou a fazer, eu estava fazendo algo certo.

Com calma, enfiei dois dos meus dedos nela, sentindo uma suavidade e calor sem iguais. Era tão macia… eu sabia que estava perdida para sempre. Eu não teria paz, não teria sossego se não pudesse tocá-la de novo.

Ela começou a acompanhar meus movimentos de vai e vem, rebolando na minha mão. Seus seios se arrastando contra os meus, a respiração quente se misturando com a minha e seus cabelos caindo sobre o meu rosto.

O toque dela ficou mais urgente na minha carne. Estava estocando os dedos de um jeito tão gostoso que eu mal conseguia concentrar no carinho que tentava fazer nela.

Quando ela arrastou os dedos molhados para fora e os pressionou contra o meu clitóris, eu explodi. Ela fez de uma maneira deliciosamente certa, apertando e vibrando com a pressão perfeita para fazer com que eu revirasse os olhos e tremesse, todo o meu corpo tenso enquanto uma corrente de prazer parecia descer pelo meu pescoço, rodear os meus bicos e descer até onde os dedos dela me tocavam.

Ela me acompanhou até o fim, até eu não aguentar mais e meu torso relaxar embaixo dela.

Mas não tinha terminado comigo. Eu tinha ficado tão extasiada, que tinha deixado de tocá-la, mas ela resolveu aquele problema.

— Você já chupou uma mulher antes? — perguntou, ofegante, me olhando de cima.

Engoli em seco e neguei com a cabeça, hipnotizada pela visão dela nua em cima de mim.

— Quer descobrir como é? — propôs, mordendo a boca quando me viu assentir.

Ela se apoiou nos joelhos e começou a subir… Passando por mim até se posicionar exatamente sobre o meu rosto.

A visão que eu tive ficaria marcada na minha memória pra sempre.

Eu pude ver todos os traços da sua intimidade, todas as curvas desenhadas que esculpiam o corpo dela. Desde suas pernas, barriga, seios e olhos famintos.

— Abra a boca — ela instruiu. E quando eu obedeci, ela finalmente sentou no meu rosto.

Segurei seu quadril e fechei os olhos, deixando que o gosto dela se derramasse pela minha garganta.

Ela tomava cuidado para não soltar todo o seu peso, mas acho que a verdade era que eu não me importaria se ela fizesse isso.

Ela estava no controle, mas era delicioso saber que eu quem estava dando prazer a ela. Os movimentos que ela fazia determinavam como ela queria ser chupada, mas eu me mantinha concentrada, lambendo e engolindo tudo o que ela estava disposta a me dar.

Era tão quente e molhado… eu podia fechar os lábios nela e deixar que a minha língua a provasse em todos os lugares. Corresse por seu clitóris, desenhasse seus grandes lábios e invadisse a sua entrada. Sempre sugando toda a sua umidade, engolindo como se eu estivesse viciada nela.

Meu rosto já estava dormente quando seus gemidos se tornaram mais urgentes e ela ajustou o corpo do jeito que queria, deixando na posição perfeita para que gozasse na minha boca. Ela estremeceu e vibrou contra mim, tendo espasmos hipnotizantes até, finalmente, ceder o seu peso e se deitar ao meu lado.

Eu não tinha ideia de quanto tempo havia se passado… mas também, não me importava com isso. Enquanto meu corpo esfriava e meus batimentos voltavam a um ritmo normal, eu só pensava que ainda não tinha tido o suficiente dela. 

E a julgar pela forma como ela estava me olhando de volta… parecia pensar o mesmo.

— Sabe… — cantarolou, se apoiando no cotovelo e correndo a outra mão por meu torso suado. — Acho que vou te dar um daqueles vales fidelidade…

— Ah é? — sorri, virando para encará-la de frente. — E o que eu ganho quando completar a cartela? Isso não vai demorar, já que venho aqui quase todos os dias…

Ela passou a língua nos lábios e repuxou os lábios em um sorriso tentado.

Tudo o que você quiser