eu ele ela

Arte: Mariana Corteze

Sinopse: Harry e Mel são um casal um tanto quanto moderno. E quando ficam sabendo que a garota que mexe com os dois está na cidade, não perdem tempo antes de chamá-la para um jantar e, talvez, algo mais.

Mãos… Eu sentia mãos em mim, em todos os lugares.

De olhos fechados, eu conseguia sentir os desenhos formados em rastros quentes por minha pele à medida que dedos longos e macios corriam por meu corpo, sem pressa, sentindo cada centímetro meu.

Meu peito subia e descia de acordo com a respiração falha, a boca estava seca e o coração bombardeava. Cada poro estava arrepiado e ondas de prazer me lambiam a cada carícia que aquelas mãos estavam me fazendo.

Senti algo quente e molhado na boca. Ofeguei, pega de surpresa, mas nem cogitei hesitar em corresponder ao beijo.

Uma boca morna me beijava com calma, derramando um gosto doce na minha língua enquanto me sugava os lábios.

Eu sentia sua respiração quente batendo contra mim e seus dentes me mordiscavam.

A blusa começou a afrouxar ao meu redor e eu me dei conta de que meus botões estavam sendo abertos um a um. Selei o beijo e, finalmente, abri os olhos, baixando a cabeça e visualizando duas mãos desabotoando a minha roupa.

Quando olhei para cima, encontrei um par de olhos castanhos.

Ela tinha os lábios inchados e repuxados em um sorriso de canto.

Eu não conseguia me mover, os pés estavam pregados ao chão, e meus braços, jogados ao lado do corpo. Tudo o que eu conseguia fazer era encará-la de volta, lendo os pensamentos safados espelhados em suas íris brilhantes, ilustrando exatamente o que ela queria fazer comigo.

Um vento frio soprou contra a minha barriga e eu soube que ela havia terminado de abrir os botões.

Nada fiz para interrompê-la quando abriu a blusa e a deslizou por meus ombros, deixando meus seios à mostra.

Engoli em seco quando ela passou a fitar o meu colo nu e arrepiado, passando a língua nos lábios. Seu olhar atento observava cada linha que me moldava.

Ela ergueu a mão para me tocar, mas antes que pudesse, um par de mãos grandes e grosseiras me envolveu por trás, se fechando em meus seios.

Senti uma boca encontrando o caminho para a minha orelha através dos meus fios de cabelo.

— Sentiu minha falta? — ele sussurrou ao pé do meu ouvido.

Arfei, surpresa, sendo lembrada que não estávamos sozinhas ali.

E tudo o que eu pude fazer naquele momento foi sorrir, extasiada, pensando em como a noite mais inusitada da minha vida tinha começado…

algumas horas antes

— O que acha dessa roupa? — saí do banheiro, dando uma voltinha para dá-lo a visão completa.

Harry, ainda jogado na cama, desviou os olhos do celular por um segundo para checar.

— Ótima — disse sem muita emoção. — Assim como as outras 4 que você experimentou.

— Você é inútil — revirei os olhos.

Ele riu e deixou o celular de lado, erguendo as sobrancelhas para mim.

— Lembra quando era pra mim que você se arrumava? 

Balancei a cabeça e fui até ao armário, procurando por um sapato que combinasse.

— Eu nunca me arrumei pra você.

— Você entendeu… — resmungou, se arrastando na cama até se aproximar de mim.

Enquanto eu calçava a sandália, senti a barriga pesar. A ansiedade começando a nascer na boca do meu estômago.

— Você acha que é estranho? — soprei a pergunta, quase como se eu tivesse medo que alguém escutasse.

Quando olhei para Harry, ele estava dando os ombros.

— Sim, quero dizer… Não tem alças, mas não cai? — apontou para a minha blusa.

Suspirei, sabendo que ele tinha entendido muito bem o que eu tinha perguntado.

Eu não queria saber o que ele achava da droga da blusa, mas sim, se estávamos loucos por convidar Shen para jantar.

Ela e Harry tinham história… E, bom, ela e eu também.

Nada demais tinha acontecido. Nós jantamos uma vez, quando eu estava confusa sobre mim mesma… E lá estava ela, pronta para me ajudar a me esclarecer. Nós conversamos e, no fim da noite, tivemos um beijo. Tinha sido rápido, mas minha boca formigava só de lembrar do gosto que ela tinha.

Isso tinha sido meses atrás. Agora, eu e Harry estávamos juntos. Quero dizer, pelo menos oficialmente. E quando ficamos sabendo que Shen estava na cidade, eu sugeri que talvez fosse legal convidá-la e Harry concordou. Mas agora, eu começava a suar por imaginar nós 3 juntos.

— A situação, Harry…. Você acha que a situação é estranha?

Ele passou a língua nos lábios e me observou atentamente.

— Honestamente? Um pouco — quando percebeu que eu hesitei, ele se apressou em continuar falando. — Mas não precisa ser… Quando nós começamos isso juntos eu te prometi que te ajudaria a se descobrir por completo… Acho que isso faz parte do pacote.

Bom, era verdade. 

— Mas você está desconfortável? — conferi.

Harry torceu a boca e ponderou com a cabeça.

— Não é muito diferente de receber um cara pra ter um jantar com a minha namorada, na minha casa, se é isso que você quer saber… Mas coloquei na cabeça que é uma noite especial.

— Sim! Não é como se fôssemos fazer isso toda quinta à noite — emendei, nervosa.

— Claro que não. Quinta é dia de pizza.

Rolei os olhos e ri mais uma vez, sem acreditar que eu estava em um relacionamento com um palhaço.

— Você não consegue levar nada a sério, não é?

— Quer que eu seja sério? — Harry se levantou, indo até mim. Tomou meu rosto em mãos e olhou nos meus olhos. — Eu tive uma vida de experiências antes de me envolver com você, Mel. Você não teve isso. O que eu tenho com você é muito mais do que uma noite, então não se preocupe. Viva tudo o que quiser hoje, e amanhã… eu ainda vou estar aqui.

Eu sorri e coloquei a mão sobre a sua, fazendo um carinho leve.

— Eu te amo, sabia?

Harry sorriu de volta e me deu um selinho demorado antes de se afastar.

Quando estava na porta do banheiro, olhou pelo ombro e me deu um sorriso arteiro.

— Quando achar que estiver rolando um clima no jantar, é só me dar uma piscadinha que eu entendo como sinal pra te deixar pra comer a sobremesa sozinha.

Ofeguei e joguei um travesseiro nele, mas que acabou acertando a porta que ele fechou com pressa.

— Idiota… — ri, sozinha no quarto. 

E aproveitei para trocar de roupa mais uma vez, pois sabia que ficaria pensando na piadinha sem graça sobre o tomara que caia a noite toda se eu não escolhesse outra peça.

*

Algumas horas depois, lá estávamos nós.

Eu, ele e ela.

No começo tinha sido natural… Shen chegou e nos cumprimentamos. Fizemos comentários normais como “e aí, quais as novidades?”, “o que você tem feito nos últimos meses?”, “você e Harry finalmente oficializaram, hein? Aleluia”, etc.

Ela demonstrou o quanto ficou feliz por ver Harry comigo, na cidade, construindo uma vida para ele. E também ficou feliz por me ver mais aberta e segura. E Shen… bem, continuava completamente maravilhosa e deslumbrante. Isso não tinha mudado.

No entanto, ao final do jantar, um silêncio foi tomando conta de nós. Eu podia sentir que todos estavam incertos sobre as expectativas daquele jantar, sobre o que poderia acontecer…

— Isso é loucura, não é? – soprei por baixo da respiração, suspirando e balançando a cabeça. Observando as louças do jantar vazias sobre a mesa. 

Shen riu baixinho, sentada ao meu lado.

— Não precisa ser — ela me acalmou, pousando uma mão sobre a minha perna.

Shen parecia relaxada e tranquila como sempre, como se nada fosse capaz de tirar a sua paz. 

— Sabe o que eu acho? Que você pensa demais — ela observou, fazendo Harry rir.

— Eu digo isso a ela o tempo todo — ele concordou, provando um pouco mais do vinho.

Dei de ombros, sabendo que os dois estavam certos.

— É que às vezes é difícil parar de pensar e abrir mão do controle, sabe? Eu sempre me preocupei demais com o que pensavam sobre mim, então às vezes tenho dificuldade de só… relaxar.

Apertei os ombros e encostei as costas na cadeira, buscando me acalmar.

Shen respirou fundo e deixou a taça sobre a mesa, se ajeitando na cadeira de forma que ficou de frente para mim, ainda com a outra mão na minha coxa. A minha pele começou a formigar por baixo do seu toque.

— Mel… — chamou o nome com leveza, parecendo paciente e cuidadosa. — Eu posso te garantir que você não tem com o que se preocupar. Não importa o que os outros pensam, você continua sendo uma das mulheres mais incríveis que já conheci.

Puxei o ar e a encarei de volta, surpresa com a intensidade do seu tom.

Do outro lado, Harry batucou os dedos na mesa e respirou fundo.

— Bom… Eu acho que vou pro quarto.

— O quê? Por quê? — perguntei urgente, me virando para ele.

Harry ergueu as sobrancelhas para mim.

— Você quer que eu assista? — disse em tom brincalhão.

Mas em seus olhos, pude perceber que ele tentou me confortar de alguma forma, mostrando que estava tudo bem.

Fechei a boca e assenti quietamente, assistindo meu namorado sumir pelo corredor do apartamento.

Ficamos só eu e Shen… E a mão dela ainda sobre a minha perna, no limite da minha saia. Eu olhava para todos os lugares, menos para os olhos dela, nervosa demais para isso.

— Sabe, eu já fui como você um dia…

— O que quer dizer? — desconversei, tomando mais um gole de vinho.

— Com medo de fazer o que eu queria… Com quem eu queria — sussurrou, chamando os meus olhos para os seus à medida em que subia a mão por mim.

Quando finalmente a encarei de volta, eu soube que não conseguiria parar de assisti-la. Shen era hipnotizante.

— Eu tinha medo de ser “essa garota”, sabe? Quero dizer… Ter tesão por outras mulheres diria exatamente o que sobre mim? Como me definiria? — repetiu perguntas que eu me pegava fazendo sozinha o tempo todo. — E sabe o que eu fiz?

— O quê?

— Eu transei com uma – disse, seu toque roçando contra a minha virilha.

Ela ainda não me tocava diretamente, sua mão estava ali, próxima, apenas me tentando.

Sobressaltei levemente na cadeira, sentindo as pernas se contraírem enquanto um calor começava a subir pelas panturrilhas. 

Shen continuava me observando, lendo todos os sinais no meu rosto.

— E como foi? — perguntei por baixo da respiração, sentindo, pouco a pouco, a minha calcinha ficar vergonhosamente úmida, apenas pela expectativa de seu toque.

Ela sorriu para mim, serena.

Gostoso — deixou a palavra deslizar pela língua.

Meus olhos nublados desviavam dos seus apenas quando a vontade de encarar sua boca falava mais alto, ou quando o decote profundo que apertava e envolvia seus seios – que eu sabia que eram macios – se mostrava tentador demais.

— Shen, eu quero…

— Quer o quê? – subiu a mão, seus dedos roçando contra o fundo da minha calcinha. — Não vai me responder? – perguntou descaradamente, soando muito parecida com o jeito de Harry falar comigo.

Aquilo me deixou ainda mais excitada.

— Não sei se posso querer isso… — consegui dizer, abrindo os olhos e a fitando, perdida.

Shen umedeceu os lábios e se aproximou um pouco mais, embrenhando os dedos da mão livre nos meus cabelos, puxando os fios da minha nuca.

— Você pode tudo o que quiser, Mel — soprou antes de começar a me massagear, me fazendo ofegar e fechar os olhos. — Você pode deixar a mulher excitada e curiosa dentro de você sair… Você pode fazer e ter tudo o que tem vontade… Pode ser forte e confiante o suficiente para não negar nenhum dos seus desejos — ela continuava sussurrando enquanto escorregava o toque, me fazendo abrir ainda mais as pernas inconscientemente, tentando sentir mais, ter mais daquele prazer doce e rasgado que ela estava me apresentando. — Você pode dar a mulher que você é, tudo o que ela quer. Você tem todo o poder… Você pode saciá-la.

Mordi a boca quando seus movimentos ficaram mais firmes, apertando todos os meus pontos sensíveis. Abri os olhos com dificuldade e a encarei de testa franzida, tentando processar aquela sensação.

Ela me olhava tão excitada quanto eu, como se me tocar a desse tanto prazer quanto eu sentia naquele instante. E foi olhado para ela e sentindo o seu toque, que eu finalmente entendi.

Depois repensar tanto… Depois de tentar me conter… Eu entendi que eu não precisava fazer nada daquilo. Que eu podia sim abraçar todas as minhas fantasias, as minhas curiosidades… Que eu podia me conhecer e fazer tudo o que eu quisesse. Ninguém tinha o direito de me julgar, me repreender ou me rotular de alguma forma. Aquela era eu. E aquilo era o que eu queria. E nada, nem ninguém, tinha o poder sobre isso. Apenas eu.

Shen estava certa. Eu tinha o poder. E eu estava pronta para usá-lo.

Segurei seu pulso e fiz com que ela parasse de me tocar, levantando da mesa e a levando junto comigo. Segurei sua mão e nos guiei em direção ao quarto.

— Melissa… — ela hesitou quando parei em frente ao meu quarto com Harry. — Tem certeza de que está ok com isso?

Eu sabia que eles tinham um histórico, mas também sabia que isso havia sido muito bem resolvido. O que nós teríamos ali não era romance, não era compromisso, era apenas desejo. Só sexo. E com isso eu estava bem.

— É isso que eu quero. E você? – perguntei, já com a mão na maçaneta, conferindo se ela estaria confortável.

Shen sorriu e assentiu quietamente, me dando carta branca para seguir.

Assim que entramos, Harry ergueu os olhos do livro em suas mãos, sentado na cadeira no canto. Ele parecia agitado e nervoso, incapaz de ler uma frase sequer, mas nitidamente tentando se distrair com algo.

— Já acabou? — ele perguntou, passando os olhos de mim para Shen.

Sorri para ele e neguei com a cabeça, subindo na cama e levando a garota comigo.

— Estamos apenas começando – eu disse antes de puxá-la e beijá-la na boca.

Aquela mesma sensação de formigamento de meses atrás voltou a pinicar a minha pele, escorregando desde nossos lábios se tocando, até o final da minha coluna. Eu sentia um calor absurdo e um prazer doce por saber que nossas bocas se encaixavam tão bem.

Shen era macia e quente. Assim como eu me lembrava.

Tive a impressão de ouvir algo caindo, e de rabo de olho, constatei que o livro que Harry estava lendo, agora estava no chão, e ele nos observava em completo pane. 

Eu me perguntei a noite inteira se aquilo era real. A cada beijo, a cada toque, a cada peça de roupa que eu tirava dela.

Quando a tinha apenas de calcinha, eu parei de beijá-la e me ajoelhei entre suas pernas abertas, sentindo os olhos chamuscar quando os corri por ela, gravando cada detalhe do seu corpo, cada curva que ela tinha.

Eu queria prová-la.

Foi isso que eu pensei quando desci a ponta da língua desde o seu colo até o limite da calcinha, deixando um caminho de saliva em Shen.

Ela ergueu o corpo para me ajudar a tirar sua última peça de roupa. Mordeu a boca e abriu as pernas para mim, me dando uma visão privilegiada da sua intimidade. Eu estava com a boca seca e mãos trêmulas, ansiosa em finalmente ter o seu gosto na minha língua. Mas antes que eu pudesse fazer o que eu queria, Shen se levantou e me levou junto.

Quando a encarei em dúvida, ela esclareceu:

— Hoje é o seu dia, não é? — sugeriu, buscando a minha boca para mais um beijo.

Eu estava tão extasiada por sentir o corpo nu dela contra o meu, ainda vestido, que demorei a processar que tinham mais de duas mãos me tocando.

Enquanto Shen desfazia os botões da minha blusa, eu sentia outro toque me abraçando por trás, descendo o zíper frontal da minha saia.

Quando ela tirou a minha blusa e fez menção de tocar meus seios, foi a mão de Harry que os tomou em seu toque. Ele achou o caminho para a minha orelha entre os meus fios suados.

— Sentiu minha falta? — soprou no meu ouvido, me fazendo arrepiar.

Virei o rosto para ele, encontrando seus olhos nublados.

Um gemido mal contido escapou da minha boca quando ele me apertou, a ponta dos dedos brincando com os bicos arrepiados.

Quando senti a saia descendo por minhas pernas, olhei para baixo e encontrei Shen ajoelhada à minha frente. Minha barriga se encolheu com a visão quando ela desceu a minha calcinha de uma só vez.

Eu me sobressaltei e acabei me pressionando mais contra Harry, sentindo seu volume roçar através da calça jeans contra a minha bunda. Ele grunhiu contra a pele do meu pescoço e deslizou a língua por mim entre beijos molhados, sugando a área sensível bem abaixo da minha orelha. Seus braços me seguravam contra ele, quase me fazendo sentir tomada… se fôssemos os únicos ali.

Mas não estávamos sozinhos e Shen escolheu a melhor maneira de me lembrar sobre esse detalhe.

Ela me assistia de baixo, observando a forma como eu estava me desmanchando nos braços de Harry. Querendo um pouco da minha atenção, beijou um ponto delicado bem abaixo do meu umbigo. Sua língua deixava um rastro quente à medida em que ela beijava o meu ventre.

Eram muitas mãos, muitas bocas… Eu sentia prazer em todos os lugares.

Muitas sensações a serem processadas, muitos toques a serem sentidos… Eu não conseguia acreditar que era real, por isso me proibi de fechar os olhos. Eu não queria que acabasse, não queria que tudo sumisse se eu sequer piscasse. Eu queria assistir, sentir… Então meus olhos estavam nos de Shen quando ela posicionou uma das minhas pernas no seu ombro, colocou a língua para fora e me lambeu pela primeira vez.

Ofeguei e quase cedi o apoio da outra perna quando ela começou a beijar o meu clitóris. Só não caí por causa do aperto de Harry atrás de mim, ainda me envolvendo e beijando o meu pescoço, aproveitando que meu quadril dançava de um lado para o outro, esfregando nele enquanto eu rebolava na boca de Shen.

Sua língua desenhava cada traço da minha intimidade, as mãos corriam por minhas coxas e ela me sugava como se o meu gosto fosse o que ela mais precisasse no mundo.

Os gemidos saíam descontrolados por minha garganta seca, por mais que eu mordesse a boca com força para tentar me manter silenciosa. Meus esforços eram em vão, mas eles não pareciam se importar em ouvir meus grunhidos roucos e desesperados… Muito pelo contrário.

Harry subiu uma das mãos até meus cabelos da nuca e puxou os fios, me forçando a encará-lo.

Achei que ele quisesse que eu o beijasse, então abafei meus gemidos quando colei minha boca na dele, deitando a cabeça no seu ombro e correndo a língua pelo contorno dos seus lábios. Mas ele me mordeu. Não forte o suficiente para machucar, mas o bastante para que eu afastasse o rosto e o encarasse.

Ele estava com a expressão fechada de sempre, sobrancelhas franzidas e olhos nublados. Olhar para ele enquanto Shen me chupava era surreal. Eu não aguentaria por muito tempo. 

— Você realmente queria eu assistisse, não é?

Ergui uma das mãos trêmulas até a dele, em meus cabelos, tentando ter forças para conseguir ao menos formular frases, tremendo. 

— Não — eu arfei, devolvendo o seu olhar enquanto tinha outra boca me descobrindo entre as pernas. — Eu quero que você participe.

Ele franziu a testa em reação ao meu pedido, parecendo atordoado com a ideia.

— O quê? — perguntou, soando absurdamente tentado.

Fechei os olhos quando Shen me chupou um pouco mais forte, abrindo ainda mais os meus grandes lábios com os dedos para que pudesse me ter completamente em sua boca, à mercê das carícias precisas e intensas de sua língua.

— Faz com ela — grunhi, voltando a encará-lo.

Harry ficou perplexo, parecendo congelado no lugar.

— Melissa… Você… O quê? 

Eu estava transando com outra pessoa na sua frente, queria que ele fizesse o mesmo. Queria que ele sentisse tanto prazer quanto eu. Que fizesse parte disso.

— Ela… Faz com ela.

— Tem certeza? — questionou, procurando qualquer sinal de incerteza.

Sim — disse o que precisava dizer, mordendo a boca gostosamente quando o assisti respirar fundo e tirar as mãos de mim, me observando de um jeito impagável antes de apertar a mandíbula, descendo o olhar para Shen.

Ela entendeu o recado, pois tirou a minha perna do ombro e se levantou, apenas para que pudesse me jogar na cama.

Caí entre os travesseiros e ela engatinhou até mim, ficando de 4 entre os lençóis. 

Acompanhei seus gestos por baixos dos meus cílios pesados, observando quando ela roçou os dedos contra a minha entrada, roubado da minha umidade. Shen me surpreendeu quando começou a deslizar os dedos úmidos por mim, formando um caminho pelo meu estômago, lambuzando os bicos dos meus seios e, então, colocando sobre os meus lábios.

Ela resolveu me mostrar o que pretendia da melhor maneira possível: beijou a minha boca, dividindo meu próprio gosto comigo e, em seguida, começou a seguir a trilha pelo meu corpo, encontrando todos os resquícios do meu líquido que ela havia espalhado em pontos estratégicos.

Meu tronco arqueava enquanto ela me sugava, os beijos molhados agora descendo até os seios. Encarei o teto, ensandecida quando senti a língua quente roçar contra a minha virilha mais uma vez. Mal tive tempo de processar aquela sensação e Shen já havia fechado a boca ao redor do meu clitóris, chupando, beijando… deslizando os dentes com cuidado pelo ponto sensível.

Harry deu a volta na cama, sem pressa, observando Shen com interesse. Ergueu uma mão e traçou uma linha invisível desde a nuca dela até o fim da sua coluna. Imediatamente a boca dela se tornou mais urgente contra mim, me levando a loucura enquanto ela mesma se perdia sem sensações por estar sendo tocada por ele.

Eu me derramava em sua língua, pulsava e me contraía na intensidade das suas sugadas. Ela não tinha a menor piedade de mim, mordiscava o clitóris, brincava com a língua na minha entrada, a enfiava em mim… Meus gemidos ecoavam pelas paredes enquanto ela mantinha minhas pernas bem abertas, dando completo acesso à sua língua faminta.

Harry parou atrás de Shen, se mantendo de pé e me dando uma visão frontal do seu corpo quando começou a abrir os botões de sua blusa. Seus olhos dele jamais deixaram os meus. Eu só conseguia me debater e gemer, tentando me segurar, tentando assisti-lo. E isso se tornou ainda mais tentador quando ele pegou uma camisinha na carteira e a deixou sobre as costas de Shen, deixando que ela sentisse o material da embalagem enquanto ele desfivelava o cinto.

Ela estava ansiosa, eu conseguia dizer. Ela sentia a presença de Harry se despindo atrás dela enquanto ela permanecia de quatro, me chupando, empinando a bunda na direção dele.

Apertei os lençóis quando ele finalmente se livrou da calça, tendo uma visão limitada do seu torso nu à medida em que ele se acariciava, deslizando a mão desde a base até à cabeça. E quando ele pegou o preservativo e o desenrolou por seu membro, eu já estava a centímetros do paraíso, cansada de segurar o orgasmo arrebatador que eu sabia que estava vindo.

Harry só quebrou nosso olhar quando olhou para baixo, observando a massagem que suas mãos largas estavam fazendo em Shen. 

Ele apertou as bandas dela, separando a sua pele e deixando-a completamente exposta, seu grunhido excitado me deixando saber que ele gostava da visão que estava tendo. Ele parecia ter se acomodado na entrada dela, pois Shen resmungou contra mim. Harry ergueu os olhos até os meus antes de se enterrar nela.

Shen descolou a boca de mim para poder libertar todo o seu prazer em um gemido longo. Harry fechou os olhos e jogou a cabeça para trás, extasiado, e começou a mover seu corpo dentro do dela, metendo forte e rápido. 

Eu não senti ciúmes, inveja ou falta de atenção em momento algum. Os lábios cheios e suaves de Shen logo voltaram a me acariciar enquanto ela recebia Harry por trás. E a minha visão também era privilegiada. 

Deitada na cama, eu tinha a visão completa. Minhas pernas abertas e intimidade pulsante sumindo nos lábios de Shen, seu corpo empinado e suado evidenciado suas curvas desenhadas, e o torso úmido e tensionado de Harry enquanto ele a fodia.

Seus músculos estavam todos marcados, as veias estavam saltadas e as mãos a apertavam com força. E a forma como ela rebolava contra as suas investidas, como reagia ao toque de suas mãos e ao rasgar do seu pau na sua intimidade, me davam aquela sensação de estar assistindo uma velha cena de ligação entre os dois.

O barulho do encaixe dos corpos deles se tornou mais intenso e eu soube que Harry estava estocando daquele jeito forte e profundo que costuma me levar ao limite.

E dessa vez, era ela quem estava prestes a gozar, e me levando junto. 

Parecendo sem ar, ela contorceu seu rosto em prazer enquanto levava uma das suas mãos até o meu clitóris, esfregando-o com tanta intensidade que lutar para resistir foi impossível.

Fechei os olhos e contraí todo o meu corpo enquanto tinha um dos orgasmos mais intensos e deliciosos que já havia tido. 

Meu corpo pulsava, formigava, contraía e explodia ao mesmo tempo. Eu não conseguia controlar meus impulsos, me debatendo e gemendo tão alto que tive até mesmo vergonha. E Shen não ficava muito para trás. Ela choramingava enquanto gozava no pau de Harry, se aproveitando que não precisava mais me estimular para erguer o tronco e colar suas costas em seu peito, puxando os cabelos dele em uma tentativa de descontar a tensão, rebolando nervosamente em seu membro.

Eu estava extasiada, tanto pelas sensações quanto pela visão. O contraste entre as peles deles, a ligação entre os corpos e a forma como eles sentiam prazer juntos era como um filme hipnotizante. 

O corpo de Shen ainda estava tremendo quando ela caiu do meu lado, estranhamente rindo, tamanho era o prazer que ela havia sentido. Eu poderia ter observado seus traços relaxados por mais tempo, se não tivesse sido puxada pelas mãos grandes de Harry. 

Arfei quando ele se ajoelhou na cama e me puxou para seu colo, erguendo meu tronco dos lençóis. Fitei seus olhos, completamente perdida enquanto ele nos ajeitava, me segurando e tirando a camisinha de qualquer jeito, se livrando do material de borracha.

Meu olhar abobado falhou quando ele me sentou em sua ereção pulsante, abrindo caminho entre a minha carne ainda sensível pelo orgasmo anterior. 

Choraminguei, afundando as unhas em sua nuca enquanto o tinha completamente duro dentro de mim. 

Ele não tinha gozado?

— Eu me acostumei a gozar só com você — praticamente leu os meus pensamentos, sussurrando maroto e me dando um sorriso sacana antes de me forçar a rebolar em seu pau.

Seus braços me abraçaram, me fazendo sentir completamente tomada, completamente dele. Eu mordi a sua boca enquanto assistia sua expressão fechada e excitada de perto, sentindo o suor dele se misturar com o meu. E voltar a atingir um orgasmo daquele jeito foi mais fácil do que eu esperava.

Comecei a gemer na sua boca quando me senti apertar e contrair ao seu redor, meu sexo pulsando contra o dele e o prazer absoluto se derramando pelo meu corpo. E Harry não demorou a me seguir, fechando as mãos em meu quadril e me fazendo deixar que ele entrasse profundamente em mim até o final, seus pelos ralos pinicando o meu clitóris enquanto ele jorrava dentro de mim, me apertando e grunhindo.

Caí na cama, completamente ensandecida, respirando com dificuldade e sentindo meu corpo ter espasmos aleatórios. Harry se acomodou do meu lado livre e Shen continuou dentada do outro, olhando atentamente para o meu perfil. 

— Mel… Feliz aniversário — ela comentou, deitando no meu ombro. 

Harry me abraçou de lado, marcando o seu território através do seu braço me envolvendo firmemente.

E eu só conseguia olhar para o teto, cansada e saciada. Sabendo que aquela noite definitivamente havia sido uma das melhores da minha vida. 

Sabendo que aquela noite definitivamente havia sido uma das melhores da minha vida.