relação de trabalho

Arte: Mariana Corteze

Sinopse: Nicolas e Layla trabalham na mesma empresa – e as semelhanças entre eles acabam por aí. Ela é desinibida, falante, intempestiva, e vai atrás do que quer, seja um novo cliente para a área de vendas, seja um Nicolas desavisado e muito tímido. Ele não leva o menor jeito com mulheres no geral, e menos ainda com uma tão direta, que lhe sussurra obscenidades aqui e ali, à revelia. Será possível um casal improvável desses ter química?

“Esqueci de colocar uma calcinha hoje.”

O bilhete escrito à mão estava aberto em frente aos meus olhos e eu não tinha inteligência emocional para lidar com aquilo.

O presidente da multinacional onde eu trabalhava seguiu listando os desafios daquele ano fiscal, quando um novo bilhete pousou na minha perna.

Desembrulhei o papel com uma calma cirúrgica. Eu já sabia que não tinha nada de puro em seus bilhetes safados, mas a curiosidade do que quer que ela estivesse aprontando dessa vez era mais alta.

“O tecido da saia contra a minha intimidade… E você aqui, tão perto, não está ajudando a cessar esse deslizar gostoso.”

Por quê, Layla? Por que eu?

O assunto daquela reunião geral na empresa era sério e importante. O meu trabalho era diretamente afetado pelas definições que ali fossem comunicadas. Layla também deveria prestar atenção, mas ela não estava dando a mínima. Preferia usar seu jeito despojado e provocante para me arrancar da minha zona de conforto e eu, por consequência, também não estava ouvindo muito do que era dito.

Era sempre assim.

Layla não perdia uma oportunidade de me cutucar com suas frases sujas e cheias de segundas intenções. Fosse em reuniões como essa, nos corredores, tratando de trabalho ou nos Happy Hours de quinta. Até mesmo separados, cada um em sua casa, ela não deixava de me mandar mensagens eróticas.

Eu podia denunciá-la para o RH e acabar com aquilo de uma vez. Mas ela bem sabia que eu jamais faria aquilo porque, bem, eu ficava extasiado em saber que uma mulher daquelas me desejava. Eu gostava, tá legal? É isso, pronto, falei. Se existia um negócio chamado assédio sexual, e eu bem sabia dos casos seríssimos que poderiam rondar esse tipo de situação, eu não me encontrava em um deles, nem de longe.

Isso porque Layla não tinha ido do 0 ao 100 tão depressa. Ela tinha demonstrado seu interesse em mim fora do ambiente de trabalho, de forma extremamente polida, e eu, burro que sou, retribuí o interesse, mas não a atitude. E desde então estávamos nesse impasse louco, onde ela sabia o quanto eu a desejava, mas também sabia que eu não tinha a maldita desinibição necessária para dar conta de chamá-la para sair.

Bom… Não ainda. Acho que seu plano era justamente me provocar o bastante para criar coragem no meu âmago de dizer “chega, Layla, vamos transar agora”. Então ela seguia apertando os botões e aumentando a sacanagem para tentar me fazer chegar lá.

Mas se estamos sendo sinceros, por mais que eu quisesse aquilo como nunca quis tanto algo na vida, eu ainda me sentia muito ineficiente nesse negócio de tomar atitude. Ficava vermelho e sem graça, gaguejando e suando com sua presença estarrecedora, porque, afinal, eu não tinha a mínima experiência de o que fazer com uma mulher daquele gabarito. Nem com qualquer mulher, na verdade. Minha personalidade introvertida e interesses um tanto exclusos tinham me privado de todas as experimentações da adolescência e tinham culminado em um eu adulto que sabia o básico do alfabeto da sedução e muito pouco sobre a aplicação dessa teoria.

“Será que se eu me abaixar aqui e te chupar até a última gota eles vão perceber?”

Uma gota de suor caiu do meu couro cabeludo com o mais recente bilhete. Layla cruzou as pernas para ao meu lado e começou a esfregar a panturrilha na minha. Por dentro da perna, o pé me abraçando, subindo um pouco da minha calça apenas para baixar novamente. Ela esfregou os dedos na saia, alisando o tecido e chamando minha atenção para suas pernas delineadas.

Aquela reunião não tinha fim?

– Layla… – sussurrei, agoniado.

– Hm, isso, geme meu nome. – ela respondeu no mesmo tom.

Fechei os olhos com força e tentei nublar a minha mente de qualquer pensamento que levasse a ela para não ter um incidente nas minhas partes baixas nada profissional.

– Então obrigado pela presença de todos aqui hoje e vamos voltar ao trabalho!

Finalmente a reunião acabou e eu podia voltar a minha mesa em paz, onde poderia fingir o quanto quisesse que tinha tomado uma atitude sobre as provocações. Layla se levantou antes de mim e no aglomerado de gente esperando para sair do auditório, parou de forma brusca para que a gente trombasse. Seu quadril encaixou na minha virilha por alguns segundos e eu não soube o que fazer.

– Nicolas, Nicolas… – ela murmurou como quem recita para uma criança. – Algum dia você vai precisar me comer. Forte.

E se foi, sem me dar direito de resposta. 

Eu não estava preparado para vê-la. Acho que eu nunca estava, mas daquela vez, em específico, menos ainda.

Layla tinha elevado ainda mais o nível das nossas interações, me mandando imagens um tanto quando esclarecedoras de seu próprio corpo na noite anterior.

Embora a minha mesa não ficasse no caminho entre a dela e o elevador, eu simplesmente sabia que ela não deixaria o dia passar sem aparecer por ali “casualmente” e o término do nosso expediente provava que o momento não poderia mais ser adiado.

Por isso, tudo que eu pude fazer foi esperar. Esperar até que aquele monumento de mulher aparecesse na minha sala, o quadril contra o batente e um sorriso libidinoso pintando o rosto alvo. Ela sabia que tinha me cozinhado em expectativa e ansiedade um dia inteiro antes de surgir à vista, calculadamente no momento em que eu teria menos distrações ou oportunidades de fuga.

Ela era muito, muito inteligente, isso era inegável. Um pequeno gênio do mal.

– Oi, Nick.

Senti meu rosto quente e sabia que estava corado além de qualquer recuperação. Mal conseguia manter meus olhos nos dela tamanha a vergonha. Lembrava da foto que tinha recebido e deletado tão rapidamente que uma pasta inteira de imagens tinha ido junto sem que eu percebesse. A calcinha rosa. O melado em suas coxas.

Vendo minha cara, ela riu, a maldita. Uma risada aberta de alegria e satisfação pela minha impressionante falta de jeito com o sexo oposto. Em seguida caminhou os passos que nos separavam, fechando a minha porta atrás de si.

Eu permaneci firme e forte em meu eu trêmulo e sem jeito, enquanto a observava sentar na mesa bem à minha frente. Em um ímpeto, apaguei a tela do monitor da esquerda, tentando privar sua vista de águia de algo que eu não sabia estar pronto para dividir com outra pessoa. Aquilo, claro, acabou chamando a atenção de Layla ainda mais do que minha indiferença teria.

– Deixou minha foto de fundo de tela ou está tentando esconder os planos da sua startup? – meu olhar embasbacado deve ter dito mais do que todo o dicionário. – É claro que eu sei.

– Sabe?

– Eu te observo há muito tempo, meu bem. – respondeu, em uma piscada. – Sei que é inteligente demais para se encaixar em um emprego quadrado e limitado. Mas e aí, vai me mostrar o aplicativo ou era mesmo a minha foto no background?

– Tá brincando? Eu apaguei a foto no segundo que recebi. Se não amasse tanto tecnologia, era capaz que tivesse jogado o celular da janela, só para não ficar olhando.

Queria deixar bem claro que a respeitava demais para ter um nude seu pairando no meu banco de dados, mas minha fala mais pareceu que eu a estava rejeitando. Felizmente, Layla era segura de si o bastante para não se deixar abater pela minha falta de habilidades orais. Ela levantou da mesa, apoiando as mãos nos braços da minha cadeira. Abaixou o rosto até estar na altura do meu, olhos conectados, tão perto que podia sentir seu hálito e o cheiro do seu shampoo.

– Eu quase acreditei que você não tinha gostado, mas então… Então eu percebi que meu pequeno nerd deve preferir gráficos em alta definição, realidade aumentada e todo o tipo de coisa 3D. Talvez prefira ver pessoalmente, não é mesmo? Sentir, cheirar, provar…

Engoli em seco, muito nervoso com o rumo da conversa. A simples menção à foto já me causava arrepios, imagine a referência a uma possível repetição ao vivo.

– O que me diz, Nick? – seus olhos eram duas faíscas e suas mãos buscaram as minhas, posicionando-as na barra de seu vestido colado. – Posso parar de brincar de te provocar e finalmente provar um pouco do seu toque?

Minha boca se abriu, apenas para entender que nada definitivo sairia dali como eu queria, nenhuma frase sacana como as que ela me falava, então eu preferi me limitar a acenar com a cabeça, em uma aceitação muda.

Sorrindo, ela pressionou meus dedos para que ajudassem a subir o tecido da sua roupa, calmamente expondo montes e montes de pele sedosa. Sua calcinha começou a aparecer e eu achei que meu coração fosse sair pela boca, tão rápido batia. 

Layla sorriu aberto, assistindo minha adoração pela sua coragem, e resolveu passar uma perna de cada lado da minha cadeira, sentando efetivamente no meu colo. Seus braços me rodearam o pescoço e as mãos fizeram um carinho singelo através dos meus fios.

– Posso te pedir um beijo?

O tubarão que normalmente era minha colega de trabalho pareceu dar lugar para uma mulher ponderada que sabia a hora de ser delicada para não me fazer sair correndo em um ataque de pânico. Aquilo apenas incentivou os arrepios maravilhados a continuarem fervorosos correndo por toda a minha espinha.

– Eu vou te decepcionar. – garanti, sem saber onde colocar as mãos. Ela me ajudou, direcionando-as para sua cintura, onde eu agarrei o tecido com entusiasmo, feliz por ter um lugar onde segurar minha ansiedade latente.

– Impossível. – soprou, aproximando nossos rostos a ponto de esfregar nossos narizes. – Você já é muito melhor do que eu consigo imaginar. – beijou minha bochecha uma, duas, três vezes, o dedão deixando um carinho quente pelo meu maxilar e colo. Eu tinha certeza que ela podia sentir a velocidade exorbitante com que minha pulsação batia. – Por favor, Nick…

Eu me vi querendo ceder ao seu suplício. De uma vez por todas, atender aquela vontade insuportável de tomá-la para mim, sem considerar minhas barreiras de timidez. Estava curioso para sentir seu gosto e calar sua boca ferina por um momento que fosse.

Subindo minhas mãos tímidas por seus braços, observando os poros ali se arrepiarem, eu enfim disse, em um suspiro resignado:

– Tudo bem.

Sem querer esperar mais um segundo, Layla se apertou contra mim, rebolando em nossa junção e tão logo subiu o rosto para o meu, me beijou.

Inquieta e ansiosa como nunca a tinha visto, entreabriu os lábios para capturar o meu sabor e me envolver na sua nada sutil dança de sedução.

E seu beijo era tão melhor do que o esperado… Tão melhor do que qualquer coisa que eu já tivesse conhecido antes. Era maravilhoso e sensual como ela, poderoso, forte, me deixava sem chão e sem estribeira.

Layla estava ofegante, dando mais de si do que tinha, e quebrou o beijo quando o ar lhe faltou para me olhar. Minhas mãos sobre seu rosto corado, as dela abrindo os dois primeiros botões da minha camisa hermeticamente fechada. Olhei para seu trabalho, a vergonha ameaçando retornar, mas ela não deixou. Com um dedo sobre meu queixo, me indicou que continuasse vendo seus olhos, e puxou o próprio vestido por sobre a cabeça, ficando seminua como na foto. Engoli em seco, meu peito afobado subindo e descendo frenético com dificuldade de manter a respiração serena.

Sua íris me dizia todas as sacanagens que ela estava pensando, cada uma das frases sujas que já tinha me dito tantas vezes sem se preocupar com minhas reações, mas que nessa hora ela poupava para tentar me deixar mais à vontade.

Me dando mais dois selinhos molhados e voltando a distribuir beijos pelo meu maxilar e orelha, Layla tornou a descer as mãos, dessa vez pousando-as na fivela do meu cinto.

– Você pode não saber, Nick, mas já foi responsável pelos meus momentos de maior prazer. – sussurrou no meu ouvido, tentando me acalmar com sua voz morna enquanto abria zíper e botão das minhas calças. – Eu quero retribuir pelo menos um deles hoje.

Eu sentia estar soando frio, nervoso com toda aquela situação desconhecida e seus protocolos de ação. Desejei por meio segundo que alguém me dissesse quais botões apertar e em qual ordem para ser vitorioso, mas sequer o conceito de vitória me era familiar.

– Me deixa te fazer carinho?

– Layla! – ofeguei, muito longe de pronto para lidar com aquilo da forma apropriada. – Você não precisa, eu não quero que sinta que…

– Mas olha como você está, Nick. – sua mão contornou meu pênis por cima da cueca, tão ereto quanto jamais tinha ficado, até mesmo dolorido tamanha sua excitação. – Deixa ele ter sua liberação. Deixa eu te ajudar com isso.

Uma risada de nervoso irrompeu da minha garganta sem permissão. Olhei para todos os lados da sala sem achar um sequer que me trouxesse de volta o conforto e a serenidade.

Bem, de qualquer forma não importava mais, porque Layla estava hipnotizada pela minha virilha, tendo saído do meu colo para se ajoelhar bem em frente a ela, que agora descobria sem qualquer receio.

Meu membro apontou para cima, sem qualquer roupa barrando seu tamanho, e ela passou a língua pelos lábios, soando muito satisfeita com a visão. Fui obrigado a jogar a cabeça para trás e cobrir meus olhos no momento que pressenti a movimentação da minha colega de trabalho e acabou sendo uma decisão muito sábia, porque a sensação molhada e quente em volta do meu ponto de prazer era para ser apreciada sem distrações.

Layla o envolveu com a boca e as mãos, cobrindo todas as terminações nervosas, cada mínimo pedaço de pele, e iniciou movimento de sucção e vai-e-vem que me faziam suar e tremer sem controle. Ouvi mais do que senti minha própria voz exclamando interjeições e grunhidos naturais que abafavam o som do seu lambuzar e respirações pesadas.

Um cheiro característico começou a preencher o ambiente ao passo que a inquietação no meu baixo ventre não parava de aumentar. Minhas mãos foram instintivamente para os cabelos sedosos de Layla, querendo de alguma forma direcionar suas atividades, mesmo sabendo que qualquer que fosse minha interrupção, seria para o pior: ela claramente sabia como conduzir aquilo muito melhor do que eu poderia sonhar.

Uma de suas mãos sumiu para baixo e eu soube, simplesmente soube, que ela estava melecada como na foto, se tocando por mim e para mim, buscando o próprio prazer apenas com o estímulo do nosso beijo e do meu êxtase. A cena unida ao agrado ainda constante sobre meu pênis fez com que a ejaculação não se freasse mais e percorresse seu caminho, que Layla prontamente bebeu até a última gota.

Ainda confuso pelo orgasmo obtido, mas querendo muito retribuir de alguma forma, eu fiquei em pé e puxei Layla comigo, segurando-a pela cintura.

Felizmente, ela sabia bem como me direcionar, porque conhecia seu próprio prazer como a um melhor amigo.

Layla segurou minhas mãos e as empurrou por todas as áreas de seu corpo que desejava que eu acariciasse. Massageou os próprios seios com meus dedos, agarrou o traseiro e, enfim, mostrou sem timidez alguma como gostava de ser pressionada intimamente.

Em um sorriso lotado de malícia, ela mordeu os lábios e fechou os olhos, jogando a cabeça para trás. Parecia uma deusa daquela forma, entregue e satisfeita, emitindo sons obscenos enquanto eu ainda despejava círculos em seu ponto mais sensível.

– Você é estarrecedora. – murmurei, entre beijos em seu pescoço e colo. – Impactante. Tem um magnetismo só seu que torna incapaz não virar a cabeça quando está passando. – ela gemeu, acariciando meus cabelos. – A sua presença me faz sentir coisas que eu não entendo muito bem, mas são boas, definitivamente boas. Talvez um pouco de timidez e nervosismo, ou muito porque você é…

– Gostosa. – Layla completou, a voz falhada. – Me chama de gostosa, Nick, vai!

Ela puxou meu rosto para mirá-la, os olhos sinceros e nublados de êxtase, e eu só pude murmurar em um ganido maravilhado de concordância:

– Gostosa.

– Isso! – ela riu, satisfeita, se esfregando com força nos meus dedos. – Bom nerd!

Eu ri junto, me sentindo embriagado com sua presença e cheiro.

Apoiando uma perna na cadeira para ajudar na sustentação, ela agora estava bem mais aberta para mim e eu escorreguei dois dedos para seu interior quente com o máximo de velocidade possível. Ela retribuiu puxando-me pelos ombros contra si, na medida em que seus gritos ficavam mais e mais estridentes.

Em um último urro longo, sua umidade aumentou imensamente, bem como a passagem por onde eu me metia meus dedos pulsava. Vendo seu sorriso exausto e satisfeito, eu me retirei de seu interior e a abracei com força, assistindo o corar de suas bochechas.

– Você é cheio de surpresas, nerd. – ela disse, me olhando com o rabo do olho.

– Você já deve ter sido chamada de gostosa mais vezes do que pode contar. – reclamei, certo que não tinha feito nada impressionante.

– Só por quem não interessa. – ela piscou, deixando um selinho no meu ombro desnudo.

Nos vestimos, em meio a trocas de sorrisos e risos contidos. Foi só na portaria do prédio que nos despedimos, entre uma promessa velada de repetir o que tinha acontecido na minha sala, e uma vontade de não nos separar.

Pensativo e ainda incrédulo com os acontecimentos do dia, fui para casa. Me despi para um banho merecido quando um pequeno pedaço de papel escorregou do bolso da minha calça.

Eu não lembrava de ter colocado nada ali, mas foi só abri-lo para saber que aquela obra pertencia a outra pessoa.

“Te vejo amanhã, nerd. Algo me diz que vou esquecer de colocar uma calcinha de novo.”