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contos eróticos

olhar – ep. 4

Existe algo de diferente no verão desse ano. Além dos corpos que podem desfilar expostos por aí, depois de tanto tempo trancafiados em quarentena, é também meu primeiro verão em um relacionamento aberto com o Pedro. 

Ele tem dado suas saídas, eu também. E tudo está ótimo, eu diria que estamos até mais unidos: nosso sexo ganhou o sabor de cada nova experiencia e flerte que temos de maneira separada. Acontece que desfilava entre nós uma figura que nos despertava o mesmo desejo: a Rafa, minha melhor amiga. 

Como estávamos todos de férias, combinamos de passar uns dias na praia e alugamos um apartamento em uma cidadezinha próxima. O que a gente não esperava é que em cima da hora três pessoas fossem desistir, incluindo o cara que a Rafa estava ficando. Sobramos nós três, e tirando a chateação inicial de termos que redividir as contas, a situação de cara nos animou. Quando eu tentei consolá-la por ter levado um bolo do ficante, ela parecia ter o mesmo sentimento:

– Ah, tudo bem. Ele era meio mala mesmo, acho que só com vocês dois vai ser muito mais divertido. Tô até mais animada agora – disse esboçando um sorrisinho de canto de boca.

Pegamos a estrada no dia seguinte cedo. O apartamento era aconchegante, ensolarado e tinha aquele clima gostoso de casa de praia. Ficamos com um dos quartos, ela pegou o outro e adoramos as desistências na verdade, porque o resto das pessoas teria que dormir na sala. 

– Melhor assim, a casa toda é só nossa – assim constatamos eu e o Pedro, que depois de dizer isso nos abraçou, eu e Rafa, ao mesmo tempo. Será que estamos sonhando?

Depois de nos instalarmos e curtirmos um pouco da preguiça pós estrada, criamos coragem e nos arrumamos para sair à noite. Estávamos eu e ela trocando de roupa no quarto quando o Pedro bateu na porta, e antes que eu dissesse pra ele voltar depois, ela me interrompeu, falando baixinho:

– Deixa ele entrar, não me incomodo. Já viu você nua milhões de vezes e já me viu de lingerie também… 

Minha ficha geralmente demora a cair, mas como são duas pessoas que conheço bem, dessa vez não estava perdendo nenhum dos sinais – e estava ficando cada vez mais excitada com cada um deles.

– Aí você vai mexer com a cabeça do garoto… é isso que você quer? – perguntei já sabendo a resposta.

Ela me encarou por uns instantes, e respondeu muito séria:

– Se você quiser, eu quero também – assenti com a cabeça, dei um sorriso e ela respondeu as batidas dele na porta, agora falando mais alto – pode entrar!

Ela estava passando roupa, de calcinha e sutiã com uma toalha no cabelo, enquanto na cadeira ao lado eu me penteava, só de toalha. Quando entrou já falante, ele travou, em um choque inicial e já ia saindo pedindo desculpas mas sem desgrudar os olhos de nossos corpos, então eu me adiantei:

– Tudo bem amor, não tem nada aqui que você já não tenha visto. Pode se arrumar aqui também. 

A Rafa fingiu normalidade e continuou o que estava fazendo. Por um instante um filme se passou em minha cabeça, e lembrei de todo o tesão que nos cercava a um tempo. Desde a noite em que transamos os três por vídeo, até a nossa noite a sós, eu e ela, pouco mudamos da nossa relação, e os flertes que antes eram só uma piadinha entre amigas agora tinham significado. Não era algo implícito, vivíamos essas idas e vindas de nos beijarmos em baladas, e trocarmos nudes sem a desculpa de pedir opinião sobre nossas roupas. O tesão era real.

Enquanto o Pedro escolhia uma camisa e tentava também fingir normalidade, um fogo começou a queimar dentro de mim, imaginando nossos corpos com pouca roupa no mesmo ambiente. Ele emendava um assunto no outro, comentando sobre as avaliações na internet do barzinho que iriamos, e enquanto isso, por vezes percebia pelo espelho seus olhares desconcertados e com um misto de desejo ao mesmo tempo. 

Quando nos aprontamos, saímos os três a pé rumo ao bar conversando animadamente. O lugar era muito bonito, à meia luz e tinha uma pista de dança, tocando forró e outras brasilidades. Enquanto a Rafa foi buscar nossos drinks, aproveitei pra conversar com ele sobre nossas intenções. Expliquei que a Rafa estava aberta a ficar com a gente, e sem muitos rodeios perguntei se ele toparia também. A resposta me fez abrir um sorriso de orelha a orelha, que foi interrompido pelo drink que chegou na hora certa para brindar essa possibilidade:

– Olha, se estiver tudo bem pra todo mundo eu topo. Deixa rolar né… temos essa vontade desde aquele lance online… acho que vai ser gostoso – Disse ele sendo interrompido pela Rafa, que trazia os drinks na mão e a tempo de ouvir a última palavra:

– O que seria gostoso?

–  O drink, eu tava dizendo que os drinks daqui parecem ser gostosos – ele respondeu e em seguida pegou o copo, brindando com a gente.

A conversa fluiu, tudo era leve e divertido quando estávamos juntos. Na medida em que a noite foi acontecendo, ela começou a dançar, e eu a acompanhei para a pista que ficava logo ao lado da mesa onde nos sentamos. Senti a música despertando meu corpo, tomando conta dos meus quadris e cintura, e me trazendo uma vontade de chegar mais perto dela, que também se aproximava, rindo e fazendo movimentos com as mãos me chamando. Nos aproximamos e começamos a dançar quase coladas, com as coxas encaixadas (não pude deixar de lembrar que se encaixaram quase do jeito que fizemos lá em casa, na noite em que transamos). Fiquei completamente enxarcada com essa lembrança, e também quando senti seu mamilo roçando nos meus, de acordo com os movimentos que fazíamos acompanhando a música. Quando demos uma volta e olhei pra trás, o Pedro vinha em nossa direção e me desvencilhei dela, sentindo o rosto corar. Mas ele continuou, e com um abraço começou a dançar, agora me substituindo. Enquanto fui buscar uma água e tentar processar o que tinha acabado de sentir, fui tomada novamente por um turbilhão de sentimentos e tesão, ao assistir os dois dançando. Era completamente sexy ver meu marido com todos os movimentos que tanto me encantavam, dançando com outra mulher. Ela ria e jogava a cabeça pra trás quando ele falava alguma gracinha em seu ouvido, até que os dois em seguida me chamaram. E de maneira completamente clichê, dançamos os três juntos com ela no meio, enquanto trocávamos olhares cumplices. Essa cena sem dúvidas atraiu também os olhares das outras pessoas ao redor, que por choque ou por inveja assistiam anestesiadas nossos corpos desfilarem entregues aos nossos desejos. Sem pensar muito, beijei o Pedro com ela entre nós dois. Em seguida ela se virou pra mim, e perguntando se podia, também me beijou enquanto ele nos abraçava. Depois se virou pra ele, que também a beijou. Trocamos caricias por mais um tempo enquanto dançávamos, sem nos preocuparmos com as pessoas ao redor. O lugar não estava muito cheio, mas por receio paramos em algum momento, antes que as coisas esquentassem mais. Afinal, ainda tínhamos todo o feriado pra viver.

***

Ainda sem saber se estou vivendo ou se sonhando, deslizo a ponta dos dedos pela areia próxima a minha canga enquanto repasso mentalmente os acontecimentos da última noite. Estamos na praia, eu, Pedro e Rafa. Enquanto tomo sol de biquini e curto a preguicinha de assistir as ondas indo e vindo enquanto o pensamento passeia, vejo ao longe Pedro acompanhá-la até o mar. Eles brincam de jogar água um no outro, depois dão as mãos para atravessar as ondas e param em uma parte mais tranquila onde a água está mais calma e tem um banco de areia. Encaro os dois como quem assiste a suas duas coisas favoritas no mundo interagindo e se divertindo juntos. Isso me diverte também, principalmente quando imagino aquilo que meus olhos não alcançam: que carícias estariam trocando debaixo d’água, sem que eu ou ninguém percebesse? Minha suspeita se confirma na volta, quando ela chega primeiro e ele demora mais um pouco. 

– A água tá uma delícia, vai lá depois! – Diz a Rafa ainda se aproximando e ajeitando os cabelos molhados, brilhando com o sol – Daqui a pouco ele vem, tá se acalmando…

A gente gargalha da situação, enquanto eu me levanto e jogo uma toalha pra ela se secar. Depois de uns minutos, quando ele se aproxima eu lanço alguma piadinha infame sobre barraca armada, sinalizando com humor que tá tudo bem e eu curti a situação. 

Passar o dia de biquini, assistindo as idas e vindas de ereção do Pedro de acordo com o movimento de nossos corpos à mercê do mar e do sol, acendeu em mim uma urgência de irmos logo pra casa. A gente se provocava com o olhar, a cada aproximação que fazíamos da Rafa, e ela se divertia com a situação. Criamos entre nós uma tensão gostosa, e antes que o cansaço tomasse conta como na noite passada, interrompida pelo nosso sono, nos apressamos e seguimos para nosso apartamento. E com a urgência de quem tem fome, deixamos a bolsas de praia pelo chão mesmo, bebemos uma água e o Pedro logo me agarra, me colocando sobre a mesa da sala, enquanto a Rafa vai para o banho. 

Ele se encaixou em minha frente, ficando com as mãos livres para desamarrar a parte de cima do meu biquini me encarando, de maneira penetrante. Comecei beijando sua boca, e descendo pelo pescoço, sentindo o gosto do sal na sua pele. Em seguida ele desceu com a boca para os meus peitos, me beijando e sugando bem devagar, me fazendo brotar arrepios. Senti a ereção que admirei o dia todo pulsando na minha coxa, e também desamarrei seu short que terminou de cair sozinho. 

– Espera, e se a Rafa chegar na sala? 

– Você não quer isso? Então a gente consuma o que quer desde ontem – Disse ele enquanto me deitava na mesa e puxava minha calcinha para o lado, me encarando com o olhar safado. 

Sentir o primeiro toque de sua língua em minha vulva me fazia ter certeza de que estava no céu, flutuando. Primeiro ele me lambeu de baixo até os peitos, em um único caminho. Em seguida voltou para minha buceta, fazendo movimentos bem lentos, me despertando por dentro. De olhos fechados me entreguei aquele fluxo, e quando já estava quase gozando, e abri os olhos, a Rafa chegava só de toalha, passando despretensiosamente para a cozinha, com um sorriso de canto de rosto.

– Não quero interromper

– Não, vem cá… – Disse eu com a voz embargada de tesão. 

Então sorrindo de novo ela veio, deixou a toalha cair com o corpo bronzeado a mostra, deu a volta na mesa e começou a me beijar, enquanto Pedro que parou por um instante para nos assistir, recomeçou a me chupar. A sensação de ter uma língua me beijando a boca enquanto outra percorria minha buceta fez eu me contorcer de tesão. E sem nenhum aviso, o orgasmo veio com uma cachoeira que certamente escorria pela boca do Pedro. Percebendo que eu me tremia toda, Rafa me segurou forte pelos cabelos e me beijou, de maneira que meus gemidos saíram direto pra sua boca. 

Enquanto me recompunha do êxtase que meu corpo acabara de viver, os dois começaram a se encarar. Entendendo o recado, desci da mesa e corri no quarto, pra buscar camisinha. Quando voltei eles se beijavam enroscados, como se fossem um só. Percebendo que eu os assistia, ele me encarou um instante e perguntou:

– Posso?

Eu fiz que sim e mostrei a camisinha, sinalizando que tudo já estava preparado. Então ela ocupou meu lugar deitada na mesa, e ele a beijou, explorando tudo o que pôde. Seus cabelos espalhados pela mesa faziam parecer uma pintura, um quadro hipnotizante de se ver. Sentada na cadeira logo ao lado, ouvi ela dando os primeiros gemidos, quando ele descobria um ponto mais sensível. Agora era eu quem passava a mão pelos seus cabelos e rosto, fazendo o mesmo carinho terno que já trocamos tantas vezes, sem malícia alguma. Agora malícia não faltava, eu queria assisti-la gozando tudo na boca dele. Enquanto descia com a língua pela sua vulva, fingido calma, vi seu mamilo se enrijecer e não me contive: beijei também tudo que pude, dando pequenas mordidinhas pra fazer ela gemer ainda mais forte. O Pedro fica lindo visto sobre um monte de vênus, estando ainda em seus peitos constatei isso de um ângulo único. E não sabendo quem queria com mais intensidade nessa situação, me agachei por debaixo da mesa, me ajoelhei em sua frente e comecei a chupar seu pau, que estava latejando. Os gemidos dos dois se misturavam em uma sinfonia linda de se ouvir. Passei a língua por toda a sua glande, até engolir tudo intercalando com pequenas sugadinhas do jeito que eu sei que faz ele ficar louco. E como se entendesse a urgência de seu pau pulsando, a Rafa quase em um gemido implorou:

– Me come…

Já desejando esse momento eu mesma coloquei a camisinha nele, que estava pulsando! Saindo debaixo da mesa me levantei e fui beijá-la, enquanto ele começou a meter. Ainda sobre a mesa eles se encaixaram, com ela de barriga pra cima. Meu clitóris voltou a pulsar quando assisti seus movimentos de vai e vem com os quadris, e a cara deliciosa que ele fazia enquanto a encarava. Em algum momento, com uma das mãos ela começou a se tocar e a gemer mais forte sinalizando que ia gozar (e eu bem sei como ele fica louco quando a mulher se toca enquanto ele está metendo!). Prevendo sua explosão de tesão, voltei a dar pequenas lambidas em seu mamilo, tentando acompanhar os movimentos que os corpos dos dois faziam, até que – primeiro ela explodiu: soltou um gemido alto, como um bicho que grita aliviado. Em seguida ele também gemeu baixinho, gozando também, diminuindo os movimentos ainda enquanto ela se contorcia. Segurei forte sua mão pra sentir ela se acalmando, linda, suada e entregue enquanto ele veio até mim e me beijou com a respiração acelerada. Fazia agora um silencio lindo em meio ao cheiro de sexo e volta da praia. Silencio que só foi quebrado pelo convite que a Rafa fez, para a única coisa possível de se fazer agora, depois desse turbilhão:

– Acho que eu preciso de outro banho, quem me acompanha?

Por L. Kaíza (@afroditeanonima__).

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