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contos eróticos

quinta-feira

conto erótico especial para esquentar esse mês das mães, escrito por L. Kaíza (@afroditeanonima__).

Você já passou por um tempo na sua rotina em que se sentiu anestesiada, no automático, e do nada algo te acordou, fez você se sentir viva de novo? Durante muito tempo, vivi os dias e a rotina como se o bicho-mulher que existisse aqui estivesse em um cantinho, adormecido. Mas, de uns dias pra cá, isso tinha mudado. Conheci R. na porta da escola das crianças, seu filho é um coleguinha de sala da minha filha mais nova. Tendo chegado recentemente na cidade, buscava o filho no colégio em alguns dias da semana. Sabe essas pessoas que chamam atenção e te acordam? Pois foi assim que o bicho-mulher em mim despertou. A primeira vez que conversamos senti que era uma pessoa intensa, dessas que fazem você se sentir penetrada com o olhar. Fiquei desconcertada e, desde que notei melhor os dias que eram a vez de buscar o filho na escola, passei a chegar um tempinho antes. Afinal, quando as crianças chegavam correndo entre mochilas, era tudo muito rápido e precisávamos nos despedir logo. A gente conversava sobre as maiores frivolidades possíveis, depois começamos a falar de músicas e bebidas, quase em um tom furtivo, sorrateiro, tentando captar o máximo de informações, atenções e interesses possíveis nos vinte minutos que tínhamos de conversa na porta do colégio. Dia-pós-dia, descobrimos que gostávamos de vinho, de corredores de mercado em promoção e jazz. Foi o suficiente para o primeiro convite acontecer:

— Sabe que sei de um mercado que tem degustação toda quinta? Eu costumo passar por lá no início da tarde, depois de deixar as crianças na escola. Se você quiser me fazer companhia, só não toca jazz… Quer dizer, de repente toca, mas tem umas promoções legais.

Pronto, reuni três interesses em comum. Me senti completamente idiota em fazer esse convite assim, mas R. me respondeu com uma risada gostosa e topou. Trocamos os telefones, o sinal tocou e minhas crianças vieram correndo afoitas, acompanhando seu filho, que, àquela altura, já estava acostumado a andar com os meus na saída. Os três conversavam animados, e nos despedimos com dois beijinhos. Muito rapidamente o beijo, que era pra ser bem superficial, pegou no canto da minha boca, e R. deslizou de leve a mão pela minha cintura. As crianças seguiam conversando animadas, não notaram nada, e rimos desconcertados.

— Fica combinado então, próxima quinta vamos dar uma olhada nas promoções e ver o que surge de bom por lá. Até!

Fiz o caminho de algumas quadras até em casa completamente atrapalhada, sem fôlego, ainda sentindo a sensação de seu beijo errando e indo para o canto da minha boca. Estava ansiosa para aquele encontro com mais calma, fora da porta da escola, sem a correria e a conversa fiada dos minutos até abrirem os portões. Mesmo nesse ritmo, ofegante e furtivo, esse flerte, que, no início, parecia tão barato, me acordou.

Nesse dia mais tarde, fui verificar se as crianças dormiam bem e em sono profundo, e lá estavam serenas, tudo ok. Passei a chave na porta, tirei o roupão e parei uns minutos pra me encarar no espelho. A camisola de seda destacava meus peitos, descendo pelas ancas e acentuando meu quadril. Soltei os cabelos e os ajeitei melhor, jogando de um lado pro outro. Durante muito tempo, eu odiei essa mulher que refletia ali, não me reconhecendo por entre cicatrizes, celulites, flacidez e os primeiros fios brancos denunciando a chegada da idade. Meu corpo nutriu meus dois filhos e por isso carregava essas marcas. Mas também carregava na memória da pele os tantos outros prazeres que já vivi: os/as amantes com seus olhares, toques, arrepios e passadas de mão. Também estavam guardadas nessa pele as tantas vezes que me toquei antes de dormir, buscando lembranças ou não pensando em nada, apenas nos movimentos que fazia com a mão. Essa mulher refletida hoje fazia o que podia pra se proporcionar momentos de conexão com essas memórias da pele, mesmo imersa na rotina, mesmo no automático e correndo pra relaxar e dormir. Assim, tranquei a porta, vesti minha melhor camisola e, aos poucos, fui eu mesma me despindo. 

Com o quarto à meia-luz, acendi umas velas e coloquei uma música bem baixinha. Comecei passando hidratante nos pés, deslizando com a ponta dos dedos e me fazendo uma massagem. Subi pelo tornozelo e cheguei às coxas. Aqui, eu me demorei, espalhando o creme enquanto dava pequenas apertadinhas, intercalando com um toque sutil. Quando cheguei à bunda, me empinei para o espelho, tentando me ver melhor. Ao espalhar o creme, agora com um toque mais forte, me inclinei um pouco e me abri, abaixando de leve. Imagina se alguém me visse naquele momento, com a bunda empinada e meio aberta daquele jeito? O espelho denunciava minha cara de boba e meio envergonhada da minha pose. Segui, então, pela barriga, subindo para os peitos. Ali ficava um dos meus pontos mais sensíveis e gostosos de tocar. Comecei passando hidratante e sentindo o toque molhado primeiro em movimentos de baixo pra cima, deslizando de leve pelos mamilos, como se alguém estivesse por trás os apertando assim, sabe? Em seguida, massageei os bicos com a palma da mão em movimentos circulares. A sensação era de que estava me esfregando, bem safada, como um animal no cio, àquela altura já desperto. Não disse que tinha muita memória nessa pele? Olhei de volta para o espelho e me vi nua, à meia-luz: outra mulher, pronta pra sentir prazer. Queria R. aqui, me vendo agora. Será que manteria aquele papinho furado na porta da escola das crianças se soubesse que era uma das pessoas que pensava às vezes quando me tocava? Também não sabia que me arrepiei inteira quando nos cumprimentamos por tantas vezes e, mesmo sem segundas intenções claras, passava a mão pela minha cintura – até errar o beijo de despedida, que, justo hoje, tinha pegado no cantinho da minha boca. Fiquei pensando se esse beijo tivesse sido aqui embaixo… Sem me demorar, lembrando dessa cena, peguei meu vibrador, me deitei na cama e comecei a me tocar. Usei um pouco de lubrificante pra sentir melhor a textura, o deslizar dos dedos e do bullet, que começou em velocidade baixa. Com as pernas abertas, percorri pela minha vulva, fazendo pequenos movimentos no quadril, tentando encontrar um ponto mais gostosinho. À medida que ia deslizando com os movimentos, senti uma pressão crescendo no meu ventre: era hora de aumentar. Fechei os olhos e pensei naquele beijo de canto de boca. E em tantos outros que começaram por ali e terminaram na minha vulva, me encharcando inteira. Minha mente vagou por entre paus e bucetas que já me deleitei, sentia todos aqui comigo. Um arrepio voltou a correr pelo meu corpo, e fui de novo pra aquele beijo de canto de boca, pra aquela olhada safada de tesão velado. E se você estivesse aqui agora, R.? Rebolei mais forte, pressionando o vibro contra meu grelo, minhas pernas dando pequenas tremidinhas enquanto minha respiração ficava mais forte, até explodir. Senti uma onda de calor percorrer do meu ventre pra barriga e corpo todo. Minhas mãos adormeceram, as pernas trêmulas caíram. A serpente passeava pelo meu corpo, fazendo eu me relaxar por inteira depois da tempestade que tinha causado. Estava em paz, cicatrizes aqui não importavam: mais um prazer que a memória da minha pele tinha me causado.

***

Não parei de pensar em nossas conversas até a quinta-feira, quando combinamos nosso encontro. Claro que expectativas foram criadas, já que, trocando mensagem para acertar os detalhes do encontro, R. me convidou pra sua casa, e seguimos com o flerte:

— Olha, na nossa idade, não quero ser piegas de te chamar pra ir à minha casa assistir filme. Mas podemos pensar que um bom vinho e uma boa companhia combinam com um papo legal, né? E se fizéssemos uma compra e fossemos lá pra casa depois? Temos um bom tempo, as crianças só saem da escola às 18h…

— Ah não, só vou se for pra assistir um filme…

— Venha para o que quiser, só quero você aqui comigo.

Ok, tinha sido piegas…

Estrategicamente escolhi um vestido com uma calcinha de renda super safada por baixo. Deixei as crianças na escola e segui nervosa ao seu encontro. O mercado era desses que têm uma área com adega e mesinhas, e, às quintas-feiras, acontecia no horário da tarde a degustação de alguns rótulos de vinho. Nos encontramos perto do corredor principal. R. estava usando uma camisa de botão meio aberta, à vontade, deixando aparecer seu colo e um pouco do peito (Pausa: cara leitora, já reparou como pode ser sexy uma camisa meio aberta? Da próxima vez que você ver algo assim, observa só!). Nos cumprimentamos ansiosos e sorridentes, escolhemos um rótulo e começamos a beber. Nos sentamos na área da adega em uma das mesinhas reservadas para a degustação, e, enquanto conversávamos, nossas pernas se enroscaram debaixo da mesa. Percebi em vários momentos que olhava para meu decote e minhas coxas à mostra pelas pernas cruzadas com o vestido, mas logo disfarçava e desviava o olhar. Fui me sentindo absolutamente hipnotizada por aquele jogo de olhares, de modo que comecei a me ajeitar de propósito para atrair sua atenção e, conforme a conversa foi avançando e o vinho inebriando nossos corpos, também comecei a olhar para o volume de sua calça. Será que dava pra perceber o quanto eu estava com tesão?

— Nosso encontro de supermercado tá muito bom, mas você não acha que tá na hora da gente dar um pulo lá em casa e ouvir outra coisa a não ser o locutor cantando as promoções?

— Ah, mas olha a vantagem, ele vai falando as promoções do dia e a gente fica aqui meia hora e já quer levar tudo pra casa. – respondi, rindo meio boba.

— Pois é, mas você eu já quero levar pra minha casa há muito tempo… E não foi culpa do locutor não.

— Ah não, foi piegas de novo… Não precisa disso, vamos logo pra sua casa, que eu também penso nela há um tempo…

Quando nos levantamos em meio às risadas da piadinha, nos aproximamos e, envoltos naquele riso bobo, nos beijamos. Era um beijo suave, carinhoso. Desses que te envolve e vai te acendendo, sabe? Me encantei completamente com aquele abraço e, aos poucos, fui sentindo meu peito arder – de tesão, de vinho, de desejo. Ao seu lado, eu senti o tempo suspenso, mas nem por isso era algo que podíamos desperdiçar. Nos soltamos do beijo, pagamos a conta e seguimos de carro para sua casa. Sentada no banco da frente, deixei as pernas um pouco mais à mostra, afinal, tinha percebido que aquele era claramente um ponto do meu corpo que provocava tensão em seu olhar.

O apartamento era pequeno e aconchegante. A janela da sala dava para uma varanda com uma área de árvores aos fundos, com privacidade total. Sua casa, assim como a minha, denunciava a presença de crianças, tomada por brinquedos e desenhos espalhados. Já se passava das 16h, e, em breve, teríamos que buscá-los na escola, então não perdemos tempo. Nos beijamos, agora mais afoitos, respirando fundo. Com uma das mãos, me segurou gentilmente (mas com atitude) pelos cabelos e passeou pelas minhas costas, terminando na bunda, quando foi levantando de leve meu vestido e tateando a calcinha enterrada. Ao sentir seu toque por ali, respirei mais fundo e me apertei contra seu corpo, denunciando meu tesão. Então, também fui passear com minhas mãos, sentindo melhor suas costas, nuca e peito, terminando de desabotoar a blusa que tinha achado sexy mais cedo. Enquanto fazia isso, olhava fundo em seus olhos e fui aos poucos dando beijos pelo seu pescoço, descendo pelo peito agora nu, pela barriga, e parei quando estava prestes a abrir o zíper de sua calça, àquela altura com o volume marcando ainda mais. Então, me puxou e me levou até o sofá, dizendo: “Eu primeiro. Você não sabe quantas vezes já quis te beijar toda”. De joelhos em minha frente, foi levantando aos poucos meu vestido, me encarando e olhando minhas coxas, agora completamente à mostra. Por um momento, fiquei insegura com aquele olhar, mas em seguida começou a beijar minhas pernas enquanto me acariciava toda. Foi subindo com a boca pelas coxas, passeou os dedos de leve pela minha calcinha de renda – já encharcada –, puxando-a pro lado e começando a me beijar. Fez isso muito devagar, de modo que fui sentindo cada cantinho que sua língua percorria ali e, enquanto isso, queimando de tesão. Me senti completamente encharcada, do mel que escorria de mim, de sua língua… Éramos um único rio, de fluidos e desejo transbordando. Quando começou a sentir minhas pernas dando pequenas tremidinhas, apertou de leve minhas coxas enquanto estava completamente submerso a elas. De sua língua, brotou um arrepio que correu meu corpo inteiro, fazendo explodir um orgasmo maravilhoso que não coube em mim, então gemi, me agarrei à almofada mais próxima, me contorci inteira. Enquanto me assistia gozar, percebi que começou a se tocar com uma das mãos, se deliciando com meu êxtase. Respeitou o tempo necessário pra me recompor, sequer pediu algo em troca – se deleitou de mim. Vai ver estava com sede, pensei. E que bom que estava aqui a postos, pronta pra dar de beber. Seguimos trocando carícias por pouco tempo, nos arrumamos e seguimos de volta para a porta da escola onde tudo começou, para buscarmos nossos filhos. A rotina emerge, sufoca, mas também pode nos surpreender se olharmos com atenção ao redor. Seguimos de carro, olhando o fim da tarde de outono com suas luzes e minhas pernas meio bambas, o coração bobo do vinho, encantada. Conversamos durante o caminho da escola ainda animados, mas serenos, alimentados do desejo que vivenciamos e deixamos transbordar. Nos despedimos no carro com um beijo, mas sabe essas fodas que você tem certeza de que vai ficar pensando por dias? As pernas vacilantes quando atravessei a rua em direção à porta da escola me denunciavam, e ainda me sentia úmida. Voltamos ao ponto comum de todos os dias, e nossos filhos vieram correndo como sempre, conversando muito, tropeçando entre mochilas.

— Tchau, bom fim de semana. Nos vemos na quinta que vem?

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