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papo de prazer

iniciando diálogos com o contatinho

Diálogo no sexo é importante, mas nem sempre é fácil. Confira o relato da Laís Conter, que trocou a vergonha pelo prazer.

Laís Conter (@me_lambelambe )

em colaboração

ao #EuQueroGozar

29/03/2021 – 19:00

Eu demorei muito tempo pra ter coragem de me expressar e dizer o que gosto e não gosto no sexo. Eu sentia vergonha. Não achava que esse era um direito meu. Achava que seria indelicada. Achava que magoaria a outra pessoa. E assim eu fui aceitando situações horríveis. Abusos. Relações ruins. Tudo pra não deixar o outro desconfortável. Mesmo que eu estivesse me sentindo assim.

Até que entendi que sexo é troca. Sexo não é só se doar e se esforçar em prol do prazer do outro. Sexo é, acima de tudo, um momento pra EU sentir prazer e gozar. Se não for assim, melhor continuar em casa com meus vibradores que cumprem esse papel muito melhor que muita gente!

Mas voltando pro foco dessa resenha, eu lembro da primeira vez que falei com todas as letras que o sexo tava ruim, que o cara tava sendo escroto comigo e tive a coragem de mandar ele embora do meu apartamento. Tiveram outras vezes. Numa delas o cara gozou numa transa rápida, não se preocupou em me dar prazer e começou a se vestir pra ir embora. Pra mim foi automático perguntar: “Mas e eu? Não vou gozar também?”. E a resposta dele me deixou desolada: “é minha obrigação?”. Sim, existem pessoas egoístas a esse ponto! Confesso que a partir daí eu virei uma chave.

Eu não preciso ficar aceitando desaforo, ou gente despreocupada com o meu prazer. Eu me basto e sei me dar prazer como ninguém. A pessoa que chegar perto desse monumento que sou eu mesma precisa entender isso. Subi meu passe. Eu mesma. Parei de sair com gente que não agregava e passei a jogar limpo dentro de todas as relações, casuais ou não. E me sinto a mulher mais foda do planeta por conseguir fazer isso!

“Mas, Laís, como faço pra chegar nesse ponto? Não me sinto segura e nem confortável”. Não é fácil! A gente foi educada pra ser agradável e amável o tempo todo. Independentemente do que o outro nos ofereça. Sempre sorrir, baixar a cabeça e aceitar. Mas chega, né?

A dica que eu dou é que a tua autoestima seja fortalecida e que tu pratique tanto o autoconhecimento a ponto de entender que não precisa de outra pessoa. Que tu te basta. Que tu aprenda a se dar prazer e não terceirizar isso.

E pra praticar o autoconhecimento é necessário uma série de fatores: aprender a dizer não, se questionar sobre tudo, explorar novas coisas e experiências, estar sempre aberta a mudanças de opinião, tirar um tempo pra si, fazer terapia, se escutar mais e explorar o próprio corpo. Sim, tudo isso! Mas não precisa fazer um checklist. É um processo. É contínuo, dia após dia. E assim a gente vai ficando mais forte e se conhecendo a ponto de não aceitar mais migalhas e a aprender a falar o que a gente quer e gosta.

Nós já fomos silenciadas por muito tempo. Já nos fizeram engolir absurdos. Chega! A gente não deveria sentir vergonha de expressar nossos desejos. A gente não deveria ser tão podada a ponto de não conseguir falar sobre masturbação com as amigas. Ou de não entender direito como sentir prazer. Ou de não saber como é o nosso clitóris (eu descobri a pouquíssimo tempo).

Então que a gente se liberte de tudo isso e grite bem algo “EU QUERO GOZAR”!

E eu quero gozar tudo que a vida me oferecer da forma mais plena e prazerosa possível. Sozinha ou acompanhada. Eu só quero ser livre e feliz pra ser eu mesma!

 

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