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papo de prazer

excitação sexual subjetiva

Ana Canosa em colaboração
ao #EuQueroGozar

16/04/2021 – 18:00

A resposta sexual feminina não segue um padrão linear. Se boa parte da resposta masculina começa com o desejo, parte para a excitação e possivelmente para o orgasmo, nas mulheres esse padrão se alterna com outro que é circular: começa com uma disposição para o engajamento sexual, segue com a excitação proveniente de estímulos (visual, auditivo, toque ou fantasias) e, sentindo-se excitada e motivada, a mulher passa a desejar que aquela relação sexual continue podendo este prazer culminar em orgasmo. Ou seja, as mulheres podem estar abertas para o sexo tanto a partir do desejo espontâneo quanto da excitação que o mobiliza. Essa maneira de compreender o ciclo da resposta sexual foi muito importante para “despatologizar” a falta de desejo espontâneo que muitas das vezes as acomete, por uma questão que é também fisiológica: mulheres tem muito menos testosterona no corpo, um hormônio importante para acionar o desejo físico e a sensação de acúmulo de tensão sexual. Ou seja, se você não sente desejo sexual físico ou ele só acontece bem de vez em quando, não significa necessariamente que há um problema de inapetência sexual. Agora, se nem a partir de estímulos há vontade de fazer sexo, é importante avaliar o quanto a relação sexual é prazerosa e se há permissão individual para o prazer. Sem uma referência positiva sobre a experiência de prazer sexual, fica difícil deixar que o desejo responsivo, esse que parte da excitação, seja mobilizado.

A excitação feminina precisa ser compreendida também na relação mais profunda entre mente e corpo. Uma mulher pode, por exemplo, lubrificar a sua vagina, a partir de estímulos variados, nem sempre ligados as suas preferências sexuais. Como exemplo, é possível que uma cena de animais fazendo sexo possa provocar alguma resposta de excitação física sem que a mulher de fato se sinta emocionalmente excitada. Para que a motivação sexual ocorra é fundamental que o fenômeno da excitação sexual subjetiva aconteça (sentir-se excitada). O caminho inverso também é possível: uma mulher pode estar se sentindo excitada, mas não sentir a vagina lubrificada, causa que também deve ser investigada pois pode ser uma questão hormonal. 

Nas relações sexuais, é muito comum que os parceiros avaliem a “prontidão” feminina, principalmente para a penetração, a partir da lubrificação vaginal, o que pode ser um grandioso equívoco. O envolvimento da excitação sexual subjetiva na resposta circular precisa de outros componentes, por exemplo uma mente focada na experiência de prazer.

É por isso que as práticas sexuais que envolvem estímulos variados por todo o corpo ajudam a ir acordando os sentidos e mobilizando o desejo. A ideia da existência de preliminares não é, portanto, interessante, porque parte da perspectiva que o sexo é baseado na penetração, que ela teria papel central na relação. Toques, beijos e carícias são parte da relação sexual, tão ou mais importantes que a penetração, principalmente para uma resposta sexual circular.

Ainda assim, muitas mulheres experienciam uma grande distância entre a excitação corporal e a excitação subjetiva, quando o desejo responsivo é dificultado por outros pensamentos que invadem a mente e a distraem. Pensar em sexo, ativando fantasias sexuais, por exemplo, pode ser uma boa maneira de conectar o erotismo à experiência sensorial. 

Conhecer como a sua resposta sexual funciona é, portanto, condição fundamental para ter uma experiência sexual gratificante.

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