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a sexualidade depois da maternidade

por Mari Stock (@prazerela)

Uma coisa é certa: depois que uma mulher engravida e tem o seu bebê, sua vida nunca mais será a mesma. Muito menos a sua sexualidade.

Eu sou a Mariana, mãe da Malu e fundadora da Prazerela. Ainda que estude profundamente o universo da sexualidade feminina, pra mim muita coisa mudou desde que a minha pequena chegou. E um dos primeiros estranhamentos que me ocorreram foi a perda repentina de desejo sexual pelo meu companheiro. 

Amo o Claudio, mas não tenho mais aquela vontade louca de transar. Sei que sou apenas mais uma na estatística, por isso, fui me investigar para tentar desvendar esse paradoxo: amor x desejo após a chegada dos filhos.

Ao fazer esse mergulho na maternagem e na sexualidade algumas coisas começam a ficar mais nítidas pra mim. A libido, o desejo e a sexualidade feminina estão longe de serem simples ou mecânicas. Tudo se torna ainda mais complexo em função de um contexto social historicamente machista e repressor para as mulheres. A grande maioria de nós nunca se autorizou a aprofundar nos mares profundos e complexos da nossa sexualidade. Aprendemos desde muito cedo que esse é um território perigoso, sujo e pecaminoso. Entendemos que é mais fácil aceitar que a nossa missão sexual é apenas servir o gozo do outro e procurar o nosso prazer em outros campos menos polêmicos. 

Felizmente esse cenário vem mudando e muitas mulheres já não aceitam as migalhas de prazer que lhes são oferecidas. Já tem uma legião de mulheres que descobriram a potência sexual de seus corpos. A mulher que tem orgasmos múltiplos, que mergulha no seu âmago orgástico, se conecta com o mais sublime da vida. Tudo fica mais vívido, mais grandioso, mais divino, mais cheio de sentido quando gozamos profundamente e despertamos para a potência da sexualidade. Essa é a primeira conclusão importante desta reflexão: o autoconhecimento sexual da mulher está conectado com o sublime da vida. 

Agora entra a maternidade em cena. Ou melhor, a minha perspectiva da maternidade entra em cena: uma mulher cis, hétero, que pariu pela vagina. Quando a gente gesta um ser humano, vive o parto de uma criança, cria um bebê, aí temos uma nova faceta da conexão com o sublime. Ainda que a maternidade esteja longe de ser um mar de rosas, é inegável o despertar inerente à ela. Ter nas suas mãos um ser feito dentro do seu útero (ou de qualquer outro útero), perceber ali naquela perfeição o milagre da reprodução humana é algo que faz brotar um novo sentido à vida da mulher. Não consigo imaginar algo mais sublime do que esta experiência. 

Quando me refiro ao sublime, estou falando de pulsão de vida, de desejo, de paixão, de sentido. Todos esses afetos são energias finitas, ou seja, quando a gente usa essa força em algo, ela pode faltar em outros aspectos. O nascimento de um bebê nos faz recrutar e dedicar toda a pulsão do sublime à nossa cria. Dar mamá, cuidar, acariciar, admirar, ninar. Pronto, todo o reservatório do sublime já está deslocado para uma única função: a maternagem. E assim será enquanto tiver que ser. 

O sublime da relação sexual é incrível, é maravilhoso, mas ainda assim, na minha opinião, não se compara ao sublime da relação entre uma mãe e o seu bebê. Eu me dei conta disso quando me vi transando com o meu parceiro, buscando uma conexão íntima ali, mas sentindo uma profunda saudade da minha filha, que tinha dormido 40 minutos antes e estava ali no quarto ao lado, a alguns metros de mim. 

É claro que vai chegar uma hora que esse sublime precisa voltar a se distribuir e se equilibrar. Tempo ao tempo e a reconexão com a individualidade e com o sexo há de voltar. Um pouquinho de paciência e resiliência na relação me parecem a melhor saída neste momento transitório. 

Uma resposta em “a sexualidade depois da maternidade”

Super interessante o tema e é algo que sempre tive vontade de abrir o assunto também, pois é a realidade não divulgada e pouco falada entre as mulheres. A perda do apetite sexual após o nascimento do bebê. Muitas mulheres prolongam a ausência de sexo por tempo indeterminado e quando o decidem fazer, é quase que por uma obrigação ou medo de se não fazer, o marido fazer com outra. É um tema que dá abertura para várias colocações e acredito que é falando sobre a realidade que acontece, que vamos adquirindo mais conhecimento e compartilhando informações. Amei a postagem!

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